Violência só nos trará sangue, suor e lágrimas

Estive presente na tarde deste domingo (16/9) no estádio do Pacaembu.Fui um dos milhares de palmeirenses que tiveram de suportar uma das partidas mais repletas de maus momentos em nossa maravilhosa história.

No campo, nada deu certo, e só para (não) variar, a arbitragem ajudou a tornar a coisa ainda mais complicada, com erros sempre prejudicando o lado alviverde da contenda. Isso, sem contar jogador adversário de péssimo caráter que se meteu a brincar com fogo na cara dura. Mas não é para falar disso tudo que estou aqui.

O que realmente assustou a todos aqueles providos de bom-senso foi o aterrorizante clima de violência e barbárie que esteve presente no tradicional estádio paulistano. Brigas entre torcidas do mesmo clube (teve pau entre os adversários, também, vale registrar), caça a dirigentes, depredação de patrimônio público… Deu medo!

Os mais antenados obviamente sabem o que ganharemos em breve (se bem conheço a CBF, em muito breve!) como “prêmio” por essa atitude intempestiva de uma minoria da torcida alviverde. Sim, isso mesmo, perda de mandos de jogo. Não irei me assustar se ficarmos até o fim do Brasileirão sem poder atuar em nossa cidade. Mais uma dificuldade a ser superada. Meu Deus!

O que fazer em um momento no qual rigorosamente nada está dando certo? Essa é uma questão polêmica e passível de gerar inúmeras respostas, boa parte delas louváveis. Uma delas, no entanto, acho plenamente dispensável, que é o apoio à violência.

Um ditado antigo diz: em casa que falta pão, todos brigam e nenhum tem razão. Por mais que a gente saiba quem são os grandes culpados nessa nossa história específica atual, “sangue e porrada na madrugada” não irão resolver nada. Só irão gerar mais sangue, mais porrada na madrugada, mais caos. E se há algo de que o Palmeiras não precisa nesse exato momento é mais caos.

Especialmente porque frequentemente nessas ondas de violência muitos inocentes acabam pagando a conta. Pode acabar sendo um de seus filhos, irmãos, parentes, amigos… Quem deseja ver um ente querido morto ou ferido por nada?

Eu obviamente sei que os principais insufladores de tumultos e defensores ardorosos da violência como solução para qualquer situação não irão ler textos como esse aqui. É óbvio. Uga-bugas só entendem a linguagem uga-buga, cuja única palavra existente em seus dicionários é porrada.

Esse papo aqui é com gente decente que, às vezes, com a cabeça quente, acaba acreditando provisoriamente em “soluções finais” que no fim das contas não finalizam porcaria alguma, a não ser a esperança.

E também serve como recado a certas redes de TV e órgãos de imprensa irresponsáveis que, com suas matérias engraçadinhas e de ironia de quinta categoria, acabam ajudando a jogar álcool na fogueira, tornando-se no mínimo inocentes úteis a favor de quem quer ver o circo pegar fogo.

Só a união de elenco, comissão técnica (quando tivermos uma novamente) e torcedores poderã nos ajudar a sair dessa tremenda encrenca em que nos meteram. Só isso. Na pior das hipóteses, a união do elenco já resolveria muito. Eu ainda acredito. Ainda dá, embora não condene quem já jogou a toalha. Mas sei que na base da violência não iremos a lugar bom algum.

E não vou mais tocar no assunto, pois alguns dos grandes defensores da paz, como John Lennon, Ghandi e Martin Luther King morreram assassinados. Não tenho vocação para mártir, tenho gente para criar e muito para realizar. Tô fora! Toc,toc,toc!