Nem um Tigre violento é capaz de escapar do peso da camisa alviverde!

Um jogo terrivelmente ruim, com uma vitória espetacularmente boa. Se eu pudesse resumir o que foi o confronto entre Palmeiras e Tigre em uma frase apenas pode acreditar que seria essa a escolhida. O Verdão provou que eu não estava errado em uma postagem aqui mesmo, antes do início da Libertadores, onde eu coloquei que nós levaríamos vantagem no grupo pelo peso incalculável da nossa camisa, pela força da nossa tradição, pelas toneladas de glórias que o escudo do Palmeiras carrega. Muitos zombaram, tripudiaram, achincalharam.

Não quero, com isso, afirmar que sou dono da razão ou que tenho mais conhecimento do que alguém. Não. Nem de longe. Entretanto, dizer que a camisa do Maior Campeão do Brasil, do Campeão do Século no futebol brasileiro não pesa é desdenhar da própria identidade, é fazer pouco da própria grandeza. Infinita grandeza. O Palmeiras não é isto que vimos em campo, nem de longe, não somos essa lástima de time, não somos esse amontoado de tranqueiras. Mas, controversamente, somos isso que todos viram, somos exatamente isso, uma camisa que joga sozinha, que escora o atacante na hora do arremate, que pesa no marcador e abre espaço na defesa. Se não tem jogador, a camisa vai lá e faz o seu trabalho.

Camisa ganha jogo sim. E perde também. Não preciso desmembrar cara atleta do Verdão, afinal todos aqui sabem de cor e salteado as peças do nosso paupérrimo elenco. Vocês viram o arremedo que foi à campo. Marcelo Oliveira de zagueiro, nenhum meia pra armar jogadas, Ronny e Caio comandando o ataque. Enfim. Entramos contra o Tigre com a seguinte formação:

Fernando Prass; Ayrton, Mauricio Ramos, Marcelo Oliveira e Juninho; Márcio Araújo, Souza, Charles, Ronny e Patrick Vieira; Caio. Técnico: Gilson Kleina

Wesley, bastante criticado até dias atrás, mas que parecia ter reencontrado seu bom futebol, sentiu um incômodo e desfalcou o time de última hora. Sendo assim, podemos afirmar que: Nem todos os contundidos no Palmeiras são bons, mas todos os bons estão contundidos no Palmeiras. Dá pra entender isso? É algo surreal, inimaginável, dantesco, bizarro. Como pode existir tantos desfalques em um time já limitado? Seria culpa dos atletas, do departamento médico, da preparação física ou obra do acaso, que insiste em nos vitimar?

A bola rolou no Pacaembu e o show de horrores começou junto. Jogadas firmes, disputas com jeito de Libertadores e pouca qualidade técnica. O Palmeiras pressionava, mas esbarrava em sua própria falta de talento/qualidade/habilidade/ousadia/determinação/arrojo/inteligência. A coisa, que parecia meio ruim, tornou-se muito mais preocupante quando Patrick Vieira, mais um dos que tem algo a apresentar, sentiu a coxa e deixou o gramado. Vinicius, o garçom, entrou em seu lugar. Muitos roeram as unhas, xingaram, esbravejaram, pediram a entrada de Tiago Real, mas o camisa 19, que ouviu de Kleina que seria o “nome do jogo”, melhorou o time.

E, querendo ou não, foi. Aos 18, depois de confusão na entrada da área, Vinicius pegou a sobra do lado esquerdo e cruzou rasteiro para Caio Mancha desviar de leve para o gol de Garcia. 1 a 0 e explosão de alegria no Pacaembu. O gol acendeu o Verdão, que passou a buscar o segundo tento. Caio e Vinicius tentaram outras três vezes furar o bloqueio argentino, mas não foram felizes e assim o primeiro tempo foi embora.

A segunda etapa iniciou e o Tigre, percebendo algumas fragilidades notórias de um remendado adversário, buscou o empate, aos 7, quando Fernando Prass interceptou e Ayrton, que foi bem no jogo, afastou de bicicleta, um dos lances raros de habilidade na partida. Mas o segundo gol era necessário para não dar sopa para o azar. E ele apareceu. Vinicius, aquele que Kleina disse que decidiria a partida, dá mais uma assistência, desta vez para Charles, que chutou errado, sem força, caindo, do jeito que deu, e a bola entrou, de mansinho, no canto direito do arqueiro. 2 a 0 e a certeza de que a noite seria nossa.

A partir daí o que se viu foi um festival de botinadas do péssimo Tigre, que esqueceu a bola (objeto que atrapalha o desempenho dos argentinos) e partiu para o desespero, alçando bolas na área e, quando dava, distribuindo cotoveladas. Vinicius ainda quase marcou o terceiro, em arremate de fora da área, mas Garcia fez a defesa, no que seria a coroação da boa partida do atacante. Kleina ainda lançou Weldinho no lugar de Ronny e Emerson na vaga de Ayrton. Apito final e três pontos na gaveta!

Quem disse que estávamos mortos e sepultados na Libertadores? Essa camisa é capaz de sobreviver a muita coisa, até a ausência de mais de uma dúzia de jogadores, entre eles Henrique, Vilson, Wesley, Valdivia e Maikon Leite. Estamos vivos, e mais do que nunca! Que as atenções da mídia continuem voltadas para outras entidades e nos deixem em paz, quietinhos. Melhor assim.

Que venha o Libertad, na próxima quinta, quando devemos ter um time mais fortalecido, com o retorno de algumas peças. Mas, no domingo, precisamos cruzar uma Ponte…

PARABÉNS 1: Ao eterno ídolo Edmundo, que completou 42 anos ontem! Au, au au, Edmundo é animal!

PARABÉNS 2: A Chiqui Arce, monstro da bola parada, que também fez 42 anos ontem!

PARABÉNS 3: Pela convocação do atacante Leandro, grata surpresa vinda do Grêmio, que chegou e já vem fazendo os gols pelo Verdão. Tudo bem que que Seleção hoje não representa muita coisa para nós, mas para quem é convocado deve ser motivo de alegria.

Abraço a todos e fica um pedido: Jamais duvidem do peso dessa camisa, jamais!