Um aniversário, o aniversariante, novo centenário…

Pronto, o centenário se foi. Entramos no primeiro ano do que será o nosso segundo centenário, se tudo der certo (e dará). Nesta quarta-feira (26), é hora de soprar 101 velinhas e festejar mais uma primavera do maior time de futebol do mundo, a Sociedade Esportiva Palmeiras. Para mim e para você, com certeza! Para os outros….você se importa em saber?

Toninho Catarinense fez dois gols na gente com a camisa do Figueirense em 1975 em pleno Palestra Itália, empate de 2 a 2. No ano seguinte, vestia o manto sagrado alviverde, e se tornou um dos meus ídolos, a ponto de eu ter sido apelidado de Toninho, de tanto falar dos gols dele no glorioso Liceu de Artes e Ofícios (SP).

Meu cabelo crespo crescia para ficar parecido com o do Cesar, o meu primeiro ídolo alviverde, que só depois ficaria conhecido como Maluco. Na época, era o raçudo, o goleador, o cara alucinado e bom de bola que adorava nos dar razões para sorrir e comemorar.

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Evair era para ter nos odiado. Afinal de contas, durante aproximadamente seis meses ficou treinando sozinho, longe dos campos, por causa dos caprichos de um técnico que só deu glórias para a turma da marginal sem número. Era para nos execrar!

Mas, graças a um iluminado Otacílio “Chapinha” Gonçalves, ele voltou a vestir a camisa do nosso Alviverde Imponente, e a partir de 1992 se consolidou como um dos grandes goleadores da história do Verdão. O cara que disse basta para o nosso sofrimento, a nossa odiada fila, a dor do título que não vinha nunca. Com ele, veio!

2.000 era o ano de a gambazada ser campeã da Libertadores. Time forte, pressão da mídia, torcida entusiasmada, tudo a favor deles. Só que tinha um certo Marcos defendendo a nossa meta, e um tal de Galeano para fazer um gol improvável. Perderam aquele título que parecia certo, e só foram ganha-lo 12 anos depois. Que glória!

Rivellino, uma das canhotas mais potentes da história do futebol, mandou uma bomba em cobrança de falta na final do Paulistão de 1974, e atingiu nosso volante Dudu. O cara saiu de campo desacordado. Se fosse um jogador dos dias de hoje, não voltaria a campo em menos do que um mês.

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Mas não estou falando de qualquer jogador. Era o Dudu. O cara não só retornou como, logo a seguir, foi para a barreira quando o canhão do Riva se preparava para ser acionado de novo. Medo? Ele, Dudu, não sabia o significado dessa palavrinha besta. E deixou nosso maior rival mais um aninho na fila. Zum zum zum é 21!

Eu poderia contar inúmeras outras histórias sobre esse Palmeiras que tanto me dá orgulho. Um time que nasceu do sonho de descendentes de italianos, mas que hoje conquistou os corações de gente de todas as raças e origens, até os netos de sírios, como eu.

Um time que frequentemente luta contra si próprio, contra o estranho amor de alguns que mais o atrapalha do que ajuda. Mas cuja maior parte de sua torcida é repleta de gente entusiástica, que aprendeu a amar essa camisa verde e branca com toda a força.

Palmeiras, seu destino é ser campeão, é superar as crises, é vencer quem tenta acabar com o seu poder de fogo. Tal qual um highlander futebolístico, ressurge a cada novo tropeço, cada novo vexame, cada novo sofrimento. Parabéns, e obrigado por existir!