Temos um limão bem azedo nas mãos. O que fazer?

Nem o roteirista mais cruel poderia ter escrito um roteiro tão sinistro. Após um ano em que se tentou de tudo e praticamente nada deu certo para nós, um improvável título, o da Copa Sulamericana, surgia no horizonte alviverde.

E todos nós acreditávamos que, após tantas decepções, a redenção viria enfim.

Fizemos a nossa parte. Tivemos fé. Mas não era para ser. Maktub (estava escrito), diriam meus avós por parte de pai.

Não vou ser masoquista e relembrar os requintes dolorosos de como vimos uma classificação para uma final importante escorrer por entre os nossos dedos e ir embora sem mais delongas.

A pergunta a ser feita é: e agora?

Crucificar os jogadores é fácil. Mas lembre-se de que trocamos inúmeras vezes de elenco nesses dez anos de provações, e nada aconteceu.

Aliás, é só comparar o grupo de atletas do Verdão de 2009 com o de 2010 para comprovar minha afirmação. Mudou quase tudo para continuar a mesma coisa.

Felipão, que veio dar a cara a bater após o desastre, também não merece ser jogado aos leões, embora tenha sua cota de culpa, como ele próprio admitiu em sua triste entrevista coletiva.

Na verdade, os principais culpados são mesmos os dirigentes alviverdes, tanto os que hoje estão no poder como os da atual oposição, que com frequência parecem mais oposição ao Palmeiras do que do Palmeiras. Muita energia negativa junta e um só objetivo: os projetos pessoais. Triste!

Mas existem milhões de torcedores que hoje se sentem como se tivessem perdido um ente querido.

Como se estivessem em um grande velório na rua Turiassú, sentindo a profunda dor da solidão que se sente nesses momentos horríveis, mas pelos quais precisamos passar em nossas vidas.

Doeu fundo na minha alma ver aqueles garotos focalizados pelas câmeras da Globo chorando nas arquibancadas do Pacaembu, sendo amparados por seus entes queridos, também arrasados.

E é para eles que eu peço, de coração: não desistam!

Pois é da energia, da juventude e (por que não?) da ingenuidade de vocês que todos precisamos.

E é para vocês que sempre daremos toda a força do mundo.

Pois em 2011 começa tudo de novo. E você vai ter coragem de pular desse barco?

Porque paixão a gente não escolhe e nem abandona.

Vamos cobrar esses dirigentes com energia e insistência, obviamente sem violência.

Vamos dar força aos Gabriel Silvas da vida, os oriundos da nossa base.

Vamos dar força aos Klebers, Marcos e Valdívias da vida, que sabem o que é o Palmeiras e jogam em nome disso.

O amor é verde, verde é a paixão.

E a letra da canção abaixo, uma parceria de meus ídolos Vitor Martins e Ivan Lins (a letra é do primeiro, um poeta que não é tão valorizado como mereceria), fala mais alto e cala mais fundo na alma do que tudo o que escrevi acima, dentro de minhas limitações.

Estivemos, estamos e estaremos sempre juntos, palmeiristas do Brasil e do mundo!

Aos nossos filhos (Ivan Lins/Vitor Martins)

Perdoem a cara amarrada,
Perdoem a falta de abraço,
Perdoem a falta de espaço,
Os dias eram assim…

Clique aqui para ler a letra e ouvir a canção na íntegra.