Prosa Verde: Vale quanto pesa? Digo, quanto ganha…

O título seria bem sugestivo se eu estivesse me referindo ao Adriano Emperrador, o paquidérmico centroavante que foi mandado embora do time que disputou em Recife a final mais longínqua de sua triste história. Ou poderia eu estar falando de Daniel Carvalho, o meia de silhueta avantajada para um atleta de futebol que vem se destacando na armação do Verdão.

Não. Não faço referências aos polpudos jogadores. Estou falando mesmo é de Luis Felipe Scolari. Nos últimos dias, diante de uma série de jogos enfadonhos e de resultados pífios, a torcida voltou a contestar o trabalho do treinador alviverde que, cá pra nós, está longe léguas daquele realizado em outra década.

Pressão “felipônica”

Felipão tem como marca registrada ser turrão e impaciente, principalmente quando seus comandados não agem de acordo com o combinado no vestiário e, com isso, o gaúcho acaba exalando mau humor e disparando sua metralhadora cheia de mágoas… mas ele não é “o cara”, como na música do célebre Cazuza.

Argumentos não faltam aos torcedores que discordam das atitudes e escolhas de Scolari: formação tática, insistência em determinados atletas desprovidos de talento, birra com outros teoricamente mais capacitados, custo-benefício contestável, discussões internas, estrelismo em dados momentos, enfim, a lista é longa. Mas onde está o encanto que a torcida tinha por Felipão que predominou por vários carnavais?

Alguém vende paciência por aí?

A paciência dos alviverdes acabou no exato momento em que o time, mais uma vez, ameaçava nos surpreender positivamente e sucumbiu. Lembro que no primeiro texto da ‘Prosa’ perguntei justamente sobre onde o Palmeiras poderia chegar, já prevendo que a invencibilidade não duraria a vida toda e como seria a vida após algumas partidas ruins. Chegou esse momento. Previsível momento.

Nem Jesus daria jeito?

Confesso que cansei de ter dores fortíssimas de cabeça tentando entender o que o treinador enxerga nos Tingas, Chicos, Patriks, Fernandões e Buenos da vida, buscando alguma lógica para as mirradas chances ao Carmona, para o esquecimento quase que total da base.

Outra confissão de minha parte é de que na entrevista coletiva passada, ao falar sobre a ausência de Assunção, perdi o restante da paciência com Felipão quando o mesmo afirmou que “nem com Jesus ganharíamos o jogo”. Precisava ter Jesus Cristo para ganhar o Mirassol? Se Jesus não daria jeito eu não sei, mas o senhor faturando 700 mil por mês deveria dar um jeito, nem que entrasse em campo, junto com Murtosa e Galeano, para fazer os gols.

Felipão e Palmeiras: namoro estremecido

Não sei vocês, mas vejo um treinador meio sem saco, cansado de tudo e de todos, como quem deseja terminar um namoro, mas fica ali pelos cantos, sem saber como fazer e o que dizer. Vamos recapitular: o treinador pediu um tempo para fazer a equipe engrenar. O tempo foi dado, tanto que desde 2010 é o comandante. Reclamou de falta de elenco e hoje já temos uma equipe bem mais qualificada, porém, os resultados ainda oscilam. O que falta? Será que está ao seu alcance?

Um escudo chamado Scolari

Enxergando o jogo por outro ângulo, chegamos a uma conclusão desoladora e repugnante: Felipão sempre brigou dentro do Palmeiras, defendendo o clube dos ataques rasteiros e mesquinhos da oposição. O bigodudo se desgastou internamente por querer organizar algo que não lhe compete, por querer estufar o peito e aparar todo e qualquer disparo dado contra o clube. O treinador tem muitos méritos também, por várias vezes falando ao mundo (e à imprensa) o que todo palmeirense queria poder dizer.

Muitas perguntas e poucas respostas

Enfim, finalizo a prosa perguntando: Felipão é a solução ou o problema para o Palmeiras? Vale a pena alguém receber 700 mil mensais e ter dois anos sem títulos? Alguém, fora Scolari, aguentaria a pressão interna, da imprensa e da torcida? De uma forma ou de outra, querendo ou não, Felipão ainda tem muito respaldo. Nem sei se isso é bom ou ruim, juro que não sei…

Abraço a todos!