Prosa Verde: Procura-se um grande goleiro para o Palmeiras. Temos em casa?

No último dia 26 comemorou-se o dia daquele que tem, para alguns, a ingrata função de impedir a qualquer custo a maior alegria do futebol: o gol. Dizem que onde goleiro pisa não nasce grama, que pra ser um bom arqueiro é preciso ter parafusos a menos na cachola, que quem vai pro gol é porque não tem habilidade pra jogar na linha ou que os que preferem vestir a “camisa 1” é porque desejam se diferenciar dos demais (podem pegar com a mão, seu uniforme é único e etc…). Eu já fui goleiro e sei quão gratificante é ser um.

A fantástica fábrica de… goleiros!
E quando o assunto é goleiro, qual clube brasileiro nos vem logo à cabeça? Claro, a Sociedade Esportiva Palmeiras, reconhecidamente, inclusive no exterior, como uma “fábrica de arqueiros” ou “a melhor escola de goleiros do mundo”. Sim, homens com agilidade quase felina, com impulsão de fazer inveja a qualquer praticante de salto triplo, arrojo fora do comum, reflexos apuradíssimos e astúcia de verdade (não a do Chapolim Colorado), gente desse naipe só o Palmeiras é capaz de criar, de lapidar.

Temos goleiro à altura das tradições do Verdão?
Oberdan Cattani, Fabio Crippa, Valdir Joaquim de Moraes, Émerson Leão, Zetti (apesar de ter ido parar no rival é cria nossa), Velloso, Sérgio, Marcos… são muitos os nomes, com qualidades imensuráveis e habilidades inquestionáveis. Pois bem, é hora de apertar o parafuso e chegar ao objetivo da Prosa de hoje. Pouquíssimas vezes em sua gloriosa História, talvez muitos nem recordem a derradeira vez, o Palmeiras teve nomes para a meta tão questionados pela exigente torcida alviverde quanto agora. Concordam?

Após a aposentadoria do Santo, a “casinha” ficou sem um guardião à altura das tradições históricas esmeraldinas, restando a Deola e Bruno, de imediato, a responsabilidade de defenderem a nossa meta. Nenhum dos dois enche os olhos dos torcedores, confessemos, muito pelo contrário, a meu ver não passam a confiança necessária e a qual estamos habituados. Mas daí, diante de uma situação até certo ponto pouco vivida por nós, o que fazer?

Deola e Bruno: herdeiros ou não da linhagem verde?
Um começo promissor, boas defesas, incontáveis falhas e um final melancólico. Este é o resumo da passagem de Deola pela meta palestrina. O camisa 22 até que tentou, mas o arqueiro nascido em Céu Azul parece não integrar mesmo a linhagem de guardiões alviverdes. Bruno, que veste a camisa 1 de tantas tradições, apesar de sua envergadura considerável e seu intelecto diferenciado, parece não seduzir a torcida palmeirense, talvez por não ter ido tão bem quando exigido. Mesmo assim é a bola da vez de Felipão.

Nas mãos de Pracidelli
Ainda se desvencilhando dos casulos para dar os primeiros saltos estão os promissores (pelo menos por enquanto) Fábio, Raphael Alemão e Pegorari. Os pupilos de Carlos Pracidelli já carregam consigo a esperança palestrina de terem herdado os segredos da maior escola de goleiros já vista no planeta. O porém é que o Verdão necessita de alguém urgentemente para assumir a titularidade e possivelmente os garotos ainda sejam muito… muito… garotos mesmo para tamanha responsabilidade. Há perigo de queimar etapas.

Era uma vez, uma esperança chamada Cavalieri…
Mais uma vez, a questão é levantada: o que fazer? Muitos ainda choram a perda do possível substituto imediato de São Marcos: Diego Cavalieri. Entretanto, o excelente pegador de pênaltis, que vinha sendo preparado e lapidado para herdar as luvas do Santo, acabou vendido para a Europa em 2008, onde não se firmou e hoje enverga, com muita altivez, as três cores do Fluminense.

Quem quer muito traz de casa. Ou não.
Diante das circunstâncias, será que é chegada a hora do Palmeiras ir buscar um goleiro fora de sua fábrica? Esta é uma decisão tão difícil quanto permitir que sua filha pré-adolescente chegue em casa com um namoradinho. Seria esse o momento de ir atrás de um guarda-meta no mercado nacional ou, quem sabe, encontrar algum com sotaque castelhano em outros centros? Se forem, avisem que é preciso ter muita qualidade e, acima de tudo, personalidade para vestir nosso manto sagrado, para nos representar, afinal goleiro é um “cargo de confiança”, como dizem por aí.

À espera de um… goleiro!
Nobres alviverdes, confesso que ainda reluto um pouco à ideia de importar um goleiro que não seja “fabricado” na Academia. Talvez com o ritmo de jogo Bruno possa até espantar essa desconfiança toda, ou quem sabe um dos moleques possa ir entrando aos poucos, ganhando confiança, acostumando-se com a ideia de ser o próximo da lista. Só não podemos mais é ficar roendo as unhas quando um atacante adversário invade a nossa grande área, ou quando uma bola é cruzada por sobre nosso território. Aí não dá!

Em outros tempos era assim…
Quem tem que tremer, como sempre foi, é o jogador da equipe oponente ao ver se aproximar e “crescer” à sua frente um goleiro ostentando o escudo do Palmeiras no peito, carregando em suas mãos todo o talento e a hegemonia da escola palestrina, que gerou alguns dos melhores arqueiros de todos os tempos. Onde está o Raul Bianchi quando falamos em goleiros?

As perguntas que movem a torcida
Fim da Prosa de hoje, meus caros, espero que os companheiros discutam e dissertem sobre o assunto que invade as rodas de bate-papo entre palmeirenses. Continua com o Bruno? Espera e dá outra chance ao Deola? Vai com milhões para tirar o Cavalieri do Flu? Joga a responsabilidade nas mãos dos mais jovens? Vai buscar outro goleiro mais experiente enquanto os garotos “pegam cancha”? Enfim, mergulhamos em busca de ar… digo, continuamos em busca de respostas…

Abraço a todos!