Prosa Verde: Pequenos exemplos nos dão grandes esperanças. Acreditem!

Diz um dito popular por aí, repetidamente repetido, que enquanto há vida, há esperança. Acreditar? Duvidar? Ignorar? Pelo sim e pelo não está aí uma frase que combina direitinho com a situação do Maior Clube de Futebol das Américas. Em 2012, um título apoteótico da Copa do Brasil, com requintes de roteiro hollywoodiano, épico, mágico, inesquecível, onde muitos arremessavam suas toalhas antes mesmo do prélio contra o Grêmio no Olímpico.

Porém, havia vida, havia esperança, e ela, imprevisível como uma boa atuação do Verdão, trajou-se com o seu mais belo vestido de seda, pura seda, verde obviamente, e nos deu mostras de que duvidar da força do Palmeiras é de uma bestialidade tão gigante, é tão insolente, quanto acreditar em seu apequenamento, tão reverberado pela grande banda podre da imprensa esportiva. Ora, meus caros, estamos falando do Maior Campeão desse País, do Campeão do Século.

Não, não precisa parar de ler a Prosa. Não pedirei para ninguém aqui acreditar que o Palmeiras escapará do descenso. Não. Não irei inventar fórmulas matemáticas, suposições engenhosas ou probabilidades interplanetárias para tentar convencê-los de que sairemos da degola. Pedir para alguém simplesmente acreditar em algo soa tão falso quanto pedir que perdoem Tirone e Frizzo pelas trapalhadas à frente do Palestra.

Acreditar até o último minuto, até o derradeiro lance está dentro do palmeirense, é nato, é um sentimento arraigado nas profundezas do nosso “alviverdismo”. Acreditar que a bola vai ultrapassar a linha fatal e nos salvar não é nenhum sacrifício para nós, o Povo Verde, porque nós somos isso aí, somos esperança, somos coração quando o próprio coração esquece de ser ele mesmo, somos alma, somos sangue… Somos sonho. Um sonho que não acaba, que nunca acaba, e nem acabará, seja na Série B, C, ou em qualquer outra do alfabeto. Isso é ser palestrino.

Não é preciso pedir ao palmeirense que acredite no Palmeiras, mesmo que o inacreditável seja o mais palpável no momento, seja tão ou mais improvável do que a própria probabilidade. O nosso sentimento não se mede por números, porcentagens. Números são frios. Nós não. Garanto que mesmo o alviverde mais incrédulo, que esbraveja aos quatro ventos que já caímos, fica olhando de rabo de olho, ou de revestrés, como diriam os mais antigos, para a TV, vendo cada lance, acreditando desacreditando, querendo não querer. Sei que é assim.

Posso dar um exemplo de como a vida nos dá exemplos? Pois bem. Na última segunda-feira, enquanto jantava, sozinho, em uma lanchonete (que não é de propriedade do Pituca) perto de onde moro (minha esposa já dormia), avistei um jovem casal também saciando a fome. O par cuidava carinhosamente de um simpático e arteiro garotinho, de nome Guilherme e de pouco mais de três anos, que se encontrava inquieto, querendo descarregar toda a quase infindável energia típica dos mais novos. Lá pelas tantas, o menininho olhou para trás e apontou incessantemente para mim. Tentei fazer graça, e ele continuou olhando. Aí fiquei sem jeito.

O pai olhou para trás, sorriu, percebeu que fiquei meio deslocado, e soltou: “Ele tá apontando para sua camisa do Palmeiras. Parece que esse vai ser ‘porco’”. Abri aquele sorrisão, me dirigi ao garotinho e comecei a lhe mostrar o nosso glorioso escudo. Ele segurava, sacolejava, e erguia o braço. Novamente o genitor intercedeu e disse: “Gui, como é que o Pirata faz?” E não é que o danado colocou a mãozinha no meio do rosto e levantou o bracinho com o punho cerrado? Não satisfeito, ainda sussurrou: “Gol do ‘Piata’”. Imaginem um cruzado de direita do Muhammad Ali na ponta do queixo, pois foi isso que senti.

Ao pagar a conta, voltei à mesa da família, cumprimentei a todos, fiz um cafuné nos cabelos louros do pequeno, e disse a seu pai: “Está difícil, mas acredito que escaparemos desse rebaixamento, é ter fé e jogar bola”. O homem levantou-se friamente, apertou a minha mão, e respondeu: “Sou corintiano, amigão, e minha esposa é gremista, vocês vão cair, estou torcendo por isso”. Começamos a gargalhar e fui embora, sem entender nada, ou entendendo apenas uma coisa: aquele menininho já tem a semente alviverde plantada em seu coraçãozinho.

Cheguei em casa, me debrucei na janela da sala e chorei, baixinho, olhando para o nada, sem fazer questão nenhuma de conter as lágrimas, que me faziam até sorrir, acreditem. Não é a primeira vez que me acontece algo do tipo, e elejo casos assim como mostras de que nós somos diferentes, nós somos uma espécie única, rara, onde não temos a maioria, mas temos os melhores ao nosso lado, e isso basta.

Existe como duvidar do Palmeiras? Se existe, desconheço. Graças a Deus. Como diz o ditado “enquanto há vida, há esperança”, e eu vou alimentando a minha, a mesma esperança de quando fomos à Porto Alegre e matamos o ‘Imortal’ para andar um pouco mais e ganhar a Copa do Brasil. Havia vida lá e há vida aqui. O pulso ainda pulsa. Acredita quem quiser, quem puder. O Verdão tem o meu apoio total e irrestrito, sempre, mesmo que saia derrotado e com o destino selado. Já o destino para 2013 a gente vai planejando…

Abraço a todos!