Prosa Verde: O que significa mais: a mão boba de Barcos ou a mão pesada da CBF?

Bom dia, boa tarde e boa noite, amigos palestrinos desse Brasilzão de meu Deus, nação essa que idolatra pessoas como Anderson Silva e Gusttavo Lima (que foi agraciado com título de cidadania), mas não dá a devida importância a seres iluminados como Chico Mendes, Dorothy Stang e Betinho (não o camisa 25, obviamente). País esse que não se envergonha de ter um estádio construído com o dinheiro suado de seu povo, que será “doado” a uma instituição privada. Brasil que aplaude a “esperteza” de Adriano, ao marcar um gol com o braço, mas repudia a “atrocidade” quando o mesmo acontece com o Palmeiras…

Sim, esse assunto não tem como ser deixado de lado. Mais uma vez o Palmeiras serve como bode expiatório para “gente grande” e sai com a imagem arranhada de algo que não tem a mínima culpa. Não admito e jamais admitirei esse tipo de comportamento, se alguns se acostumam a isso, posso garantir-lhes que eu não farei o mesmo. O que mais falta acontecer? Marcarem uma partida onde não nos avisarão e, na hora H, perderemos por W.O.? Ou mudarem nosso mando de campo para jogarmos em, sei lá, Taraucá, no Acre, contra o Atlético-GO? O que mais falta acontecer contra nós? Pelo visto nada!

Enquanto isso, os arautos da ética e dos bons costumes vinculados à imprensa brasileira defendem com unhas e dentes que a arbitragem deu um show de competência e sabedoria em Porto Alegre. Sim, ninguém se surpreende mais com isso, eu sei, mas como nossos dirigentes podem ser tão insossos a esse ponto? Não se indignar quando o seu povo é achincalhado por todos, tido como malévolos mesmo não tendo culpa? Ah, esqueci, os dirigentes são os principais culpados…

Confesso que no momento em que o árbitro Francisco Carlos do Nascimento (o popular Chicão, que conseguiu ser retirado de uma partida do Ceará, por desconfiança) assinalou o gol e foi prontamente rodeado pelos jogadores colorados eu brequei a minha comemoração, pois algo me dizia que a parcimônia do árbitro em acatar os gritos e gestos dos gaúchos, sem correr para o meio, não era em vão. E deu no que deu.

Até o Aristeu Tavares, hoje presidente da Conar, substituindo Sérgio Corrêa, o antigo coordenador da entidade demitido após o erro contra o clube preferido da CBF, meteu o bedelho e deixou claro que a atitude do Palmeiras em reclamar do lance “é lamentável e beira a imoralidade”. É, senhor comandante da arbitragem, aprendeu rápido, hein? Fica claro, pelas suas palavras à Fox Sports, que não foi à toa que o colocaram no cargo. Lamentável é a sua postura, lamentável é ausência de caráter dos que compõem os órgãos ligados ao futebol nesse País. Lamentável é a perseguição escancarada ao Palmeiras, descabida, surreal.

Não estou aqui defendendo o anti-jogo, a prática ilegal para benefício próprio como um gol de mão. Não, meus pais me ensinaram a ser honesto. Todavia, meus genitores também me passaram que contra a injustiça é preciso lutar, ir até o fim, e não calar diante de falcatruas e trambicagens. Barcos tocou a bola com o braço sim, a imagem é clara. Mas é só isso?

É nítido e cristalino também que o centroavante é agarrado pelo zagueiro Índio, impedindo seu cabeceio. O delegado fanfarrão não viu o pênalti? Estranho, não? Logo ele que tem olhos de lince, visão de águia. Basta observar duas coisinhas para se constatar o penal: Maurício Ramos subindo quase meio corpo acima do Pirata e os olhos fechados do argentino, com a cabeça virada para o lado oposto à trave. Não é pênalti? Houve ou não uma infração? Os repórteres “esqueceram” de mencionar, foi?

Quando um corpo se desloca para o alto e algo exerce uma força que o puxa para baixo é meio óbvio que seus braços se desloquem para o ar. Basta fazer um teste, é uma reação normal do corpo. Ao tropeçar, o ser humano tem o reflexo de posicionar os braços para se proteger de um eventual tombo. Simples. Barcos não usou de má-fé para marcar um gol de mão e, assim, ludibriar a arbitragem, o atleta foi agarrado, puxado.

Diferente de Adriano, em 2008, que agiu propositadamente, fez o gol usando o antebraço e não houve estardalhaço nenhum na imprensa. Ah, mas contra quem foi o gol mesmo? Lembro-me bem que vi um comentário de alguém da Sportv, na época, que dizia: “Adriano agiu por impulso, viu que era a única maneira de marcar e o fez, jogador é malandro, não podemos condenar o Imperador por isso, foi um recurso, jeitinho brasileiro”. Estranho, não ouvi nada disso agora. Aliás, já que estamos falando da imprensa, é bom ressaltar que uma repórter da Rede Bandeirantes confessou que o tal delegado saiu perguntando aos repórteres o que houve no lance. Falta mais o quê?

Agora, para o gran finale, dois personagens: Gérson Antonio Baluta e Jean Pierre Gonçalves Lima. Baluta, o delegado picareta, era membro da arbitragem? Tinha direito de interferir como fez? De forma alguma. Mas fez e, segundo testemunhas, esbravejou que poderia nunca mais trabalhar, mas dormiria feliz por ter prejudicado o Palmeiras. Jean Pierre, o quarto árbitro daltônico, chamou para si a responsabilidade e afirmou categoricamente: “Vi uma camisa verde marcando um gol de mão”. Vem cá, ‘Sêo’ Jean, na boa, o senhor viu alguém de verde mesmo no lance? Seria um duende? O Hulk? Um ET? O senhor preparava a substituição do colorado Kleber, ou seja, não viu nada. Está tentando encobrir quem? Alguém lhe pressionou a fazer isso? Mistério…

Isso vai mudar alguma coisa em nossa situação? Não, apesar da CBF ter ‘suspendido’ os pontos do Internacional por enquanto. Apenas serviremos mais uma vez de chacota, para deleite de inúmeros conselheiros e jornalistas, gente que sonha, que reza todos os dias ao acordar para que o Palmeiras não exista mais. Gente que merecia sentar no colo do Capiroto e pagar por tudo o que fazem. Enquanto isso, Tirone e Frizzo estão embaixo de uma mesa qualquer, pedindo silêncio, para que ninguém os veja… shhhhhhhhh!

Sobre o rebaixamento, nem comentarei mais nada, minha paciência já foi pra Conchinchina, deixarei apenas a genial declaração do técnico Gilson Kleina como reflexão: “Agora que estou aqui, estou vendo que o Palmeiras é realmente prejudicado. O pessoal quer começar a definir os quatro lá embaixo. Não podem decidir achando ‘ah, já que estão nessa situação, deixa assim’, estamos trabalhando e há profissionais aqui”.

Abraço a todos!