Prosa Verde: Eu protesto, tu protestas, ele protesta. Você protesta?

Sim, eu sei bem que o momento do Palmeiras não é nada bom. Sei que o Felipão já torrou a paciência de quase todo mundo, que jogar contra Horizonte e Guarani com 200 volantes é irritante, que o Deola não passa segurança nenhuma, que Wesley já se tornou prejuízo (uma pena!), que existem panelinhas, que a Diretoria é omissa… eu sei de tudo isso, ou melhor, sabemos. Porém, hoje, eu queria abordar um outro assunto que foge um pouco desse (ou do) campo e parte para as cabines de imprensa, redações, programas esportivos e etc.

É, como prometido aqui em Mondo Verde na edição 2 em que tive a honra de participar, dei a minha parcela de contribuição contra o puxasaquismo descarado da imprensa esportiva nacional, que faz com que o futebol se torne algo ainda mais fétido, repugnante. Deu um trabalhinho, mas valeu a pena!

Um protesto em forma de faixa

Juntamos, eu e Luiz Fernando – um amigo palestrino -, e mandamos fazer uma faixa, algo simples, mas que representasse um tapa na cara de muita gente, inclusive de palmeirenses, que concordam com a nossa ideia, porém, não movem uma palha para ajudar e se calam quando deveriam berrar, se aquietam quando o momento era de extravasar, espernear. Quando compreenderão que 18 milhões de vozes não poderão ser caladas facilmente? Fica a dica mais uma vez! Enfim, pegamos nossa “arma” de protesto e rumamos para Horizonte.

Liberdade de quê mesmo?

Nem preciso dizer que me deu ânsia de vômito avistar torcedores alviverdes empunhando cartazes elogiando “Band” e “crack” Neto, não é? Pois bem, a batalha começou para adentrar no estádio Domingão. Motivo? A Polícia barrou a faixa, alegando ser ofensiva e provocativa. Às vezes é melhor ser surdo a ouvir certas coisas. Um dos policiais, visivelmente desprovido de alfabetização (semelhante a corintianismo), me solta: “Essa faixa fere a liberdade de imprensa, de expressão, não pode!”. Hãm? Mereço ouvir isso? Não seria a minha liberdade de expressão a ferida na história? Tsc tsc…

Protesto solitário e isolado. Será?

Após uma longa e pacífica conversa com as autoridades, o capitão da PM compreendeu que a faixa não era direcionada a ninguém especificamente e que se tratava de um protesto “solitário” e “isolado”, segundo o próprio, sem grande repercussão. Liberado, dirigi-me à arquibancada, me posicionando justamente no centro da mesma, para ter maior visibilidade, mesmo sabendo que a imprensa faria vista grossa, obviamente. E fez.

A imprensa viu tudo, mas não falou nada

Deixei vários amigos de sobreaviso em casa para que me avisassem se alguém comentasse algo sobre nosso protesto. A faixa foi sim filmada, entretanto, suas frases não foram pronunciadas. Câmeras da “Band” visualizaram a faixa por minutos, mas na edição (corte de câmeras) a imagem não foi vista. Disseram-me que na ESPN a imagem apareceu mais de uma vez, porém, sem comentários sobre a mesma. Cartazes abobalhados foram lidos, inclusive alguns que estavam a poucos metros da faixa, meras cartolinas com dizeres vazios e burocráticos. Lindo isso, não?

A mensagem foi passada e entendida

A imprensa viu a faixa e, mesmo não divulgando, entendeu a mensagem, percebeu que aqui, no Nordeste, no interior cearense, onde menos se esperava, existiam cabeças pensantes, uma gente indignada com a maneira que a grande mídia trata o futebol e essa revolta foi exposta, para todos verem. O que me deixou feliz foi a quantidade de pessoas, até torcedores de outros clubes, que pediram para tirar fotos com a faixa. Bem que poderia ser um pontapé inicial…

Chega de puxasaquismo, exigimos respeito!

É, meus caros, a nossa parte fizemos e garanto que todo e qualquer jogo aqui no Ceará a faixa estará lá, acompanhada de outras que faremos. Seria extremamente interessante que a torcida palestrina comprasse a ideia, se mobilizasse e protestasse no País inteiro contra essa imprensa egocêntrica, bajuladora, que serve de porta-voz para certas agremiações, que preza pelo despreparo, que despreza várias torcidas, cerceando inclusive o direito de assistirmos ao nosso clube do coração em TV aberta. Chega, vamos fazer valer o nosso tamanho e importância!

Faça sua parte. Não se omita!

Calar-se diante disso tudo é consentir com toda essa corja, onde vários são de fato profissionais competentes, mas que a maioria prefere enveredar pelo caminho mais fácil e sujo, o caminho da mediocridade. Eu fiz a minha parte e continuarei fazendo. E você, fará a sua?

Um dia, quem sabe…

Fim da prosa de hoje, nobres alviverdes, espero sinceramente que o capitão da PM de Horizonte engula suas palavras muito em breve, ao taxar o nosso protesto como algo solitário e isolado, sem repercussão…

Agora voltemos com a nossa programação normal.

Abraço a todos!