Primeiro título da história: Campeonato Paulista 1920

Foi em 1920 que o Palestra Itália/Palmeiras conquistou o primeiro campeonato paulista de sua rica galeria.

O ano de 1920 foi de suma importância para a história do clube, pois foi quando o Palestra comprou o terreno do Parque Antarctica da Companhia Antarctica Paulista de Bebidas. Porém, este será um assunto que será abordado no nosso próximo texto.

Disputando o Campeonato Paulista desde 1916, o Palestra Itália chegou em 1920 já com dois vice-campeonatos, em 1917 e 1919. Portanto, faltava pouco para o clube alcançar a glória máxima.

A primeira partida do Palestra Itália no Campeonato Paulista de 1920, aconteceu no dia 25 de abril, no estádio da Ponte Grande, contra o eterno rival Corinthians. Com uma grande atuação de Heitor Marcelino, que marcou dois gols no jogo, o Palestra impôs 3 a 0 no adversário. O terceiro gol palestrino foi de Ministro.

Confira a campanha do Palestra:

periquito1º TURNO

25/04/1920 Palestra Itália 3 x 0 Corinthians

09/05/1920 Minas Gerais 1 x 3 Palestra Itália

16/05/1920 Palestra Itália 7 x 0 Mack-Port

30/05/1920 Santos 2 x 3 Palestra Itália

04/07/1920 Palestra Itália 4 x 2 AA São Bento

18/07/1920 AA das Palmeiras 0 x 5 Palestra Itália

01/08/1920 Palestra Itália 1 x 0 Ypiranga

08/08/1920 Palestra Itália 11 x 0 SC Internacional

15/08/1920 Palestra Itália 1 x 1 Paulistano

2º TURNO

05/09/1920 Palestra Itália 1 x 2 Corinthians

03/10/1920 Palestra Itália 0 x 0 Ypiranga

17/10/1920 Palestra Itália 4 x 0 Mack-Port

31/10/1920 Palestra Itália 1 x 0 Minas Gerais

07/11/1920 SC Internacional 1 x 6 Palestra Itália

15/11/1920 AA São Bento 0 x 1 Palestra Itália

21/11/1920 Palestra Itália 5 x 0 AA das Palmeiras

12/12/1920 Palestra Itália 0 x 1 Paulistano

Caso o Palestra tivesse vencido a partida sua última partida, contra o Paulistano, teria conquistado o campeonato no dia 12, porém, com a derrota por 1 a 0, Palestra e Paulistano terminaram a competição com 26 pontos cada, dividindo a liderança.

Então, a diretoria da APEA (Associação Paulista de Esportes Atléticos) marcou um jogo desempate entre os dois clubes para decidir quem seria o campeão de 1920.

A partida fora marcada para à tarde do dia 19 de dezembro, no estádio da Floresta, que ficava no bairro da Ponte Grande, bem próximo da atual Ponte das Bandeiras, na Marginal Tietê.

Durante a semana, a cidade respirava o clima da partida. Os jornais Estado de São Paulo, Correio Paulistano e Diário Popular deram ampla cobertura para preparação dos “quadros”, como eram chamados os times à época.

A torcida palestrina estava ansiosa, pois durante a semana a diretoria do clube resolveu mudar a equipe que jogaria a partida decisiva. Deixaram a equipe titular Grimaldi, Fabbi, Imparato e Caetano, e, em seus lugares entraram Oscar, Forte, Ministro, Frederici e Martinelli.

Chegou a hora da partida. O estádio recebeu, de acordo com os jornais da época, mais de 30 mil torcedores. Todos eufóricos pelo a luta que iria iniciar no gramado.

Para acalmar a torcida do Palestra, o presidente David Pichetti entrou em campo à frente do time e mostrou a coesão entre diretoria, jogadores e torcida, para levar o Palestra à vitória.

O primeiro tempo terminou 0 a 0, com o Palestra pressionando o adversário, que era muito forte, possuía no comando de ataque o lendário Arthur Friedenreich considerado o maior jogador do futebol brasileiro até o surgimento de Pelé.

Logo aos 5 min do segundo tempo, Martinelli marca o primeiro gol palestrino. A reação do Paulistano veio aos 14 min, com o gol de empate marcado por Mário Andrada.

Aos 29 min, veio o gol do título. Após jogada de Heitor, Matteo Forte recebeu a bola na entrada da área do Paulistano e soltou a bomba para marcar o segundo gol palestrino.

Quando o juiz, Herman Friese apitou o final da partida, o sonho estava realizado. O Palestra era campeão.

A torcida, enlouquecida com o resultado, invadiu o campo para carregar os jogadores em triunfo. A comemoração tomou toda a cidade e reza a lenda que faltou vinho e cerveja nos bares do centro de São Paulo, tamanha foi a comemoração dos italianos, brasileiros e ítalo-brasileiros pelas ruas. Essa comemoração ficou conhecida como “Pazza Gióia” (alegria enlouquecida, em italiano).

Na sede do clube, a festa foi total. Com muita comida, vinho e cerveja, os atletas comemoram o título junto aos associados do clube.

Confira a ficha técnica da final:

19/12/1920 Palestra Itália 2 x 1 Paulistano

Palestra: Primo; Bianco e Oscar; Bertolini, Picagli e Severino;  Forte, Ministro, Heitor, Federici e Martinelli.

Paulistano: Arnaldo;  Guarany e Carlito; Sérgio, Zito e Mariano; Agnello, Mário Andada, Friedenreich, Cassiano e Carneiro.

Gols: Martinelli 5”, Mário Andrada 14” e Forte 29” do 2º tempo

Estádio:  Floresta – Juiz: Herman Friese

Vale lembrar, também, que o segundo quadro do Palestra Itália conquistou em 1920, seu terceiro Campeonato Paulista. O que valeu a posse definitiva do troféu “Antônio Prado Jr”. Este título – do segundo quadro – aconteceu na semana anterior à conquista da equipe principal, com uma goleada por  7 a 1 em cima do Paulistano. 

baudopalestra@mondoverde.com.br