Por um novo ano

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Caio Junior tem coragem. Quis Palmeiras e Santos no Palestra Itália. Pediu para jogar em casa. Pediu pela pressão. O desafio à “Turma do Amendoim” aconteceu logo após um almoço com Luiz Felipe Scolari. É sintomático. Desse encontro, entre o passado de glórias e o futuro promissor alviverde, pouco foi divulgado. Sabe-se que falaram sobre o Palmeiras. Entre uma idéia e outra, desconfia-se que conversaram sobre o som-ambiente do Parque Antarctica.

O eco das cornetas, ao contrário do que muitos defendem, não está restrito à parte posterior do banco de reservas. Tampouco escolhe raça, casta ou lugar. Espalha-se, confortavelmente, por todo e qualquer espaço ocupado pela Torcida Palmeirista. Excede, inclusive, os limites do Estádio. Sem fronteiras, ocupa a mesa do bar e os textos da rede. É a voz do palmeirense. E basta um passe errado para que se possa ouvi-la, alta e clara. Paradoxo maior eu desconheço.

Em 2006, pedia-se o fim de um tempo que chamei “A Era do Apocalipse”. Pois bem, acabou. A reestruturação (apesar de no princípio) já é sentida pelos quatro cantos palestrinos. Resta abrir os olhos do torcedor, ainda embotados pelas lágrimas passadas, para enxergar o novo cenário. Que a declaração de Caio Jr., “nós temos que jogar na nossa casa, com a nossa torcida a favor. Quero ter meu caldeirão”, encontre recíproca durante cada um dos próximos 90 minutos jogados. Que o fim da “Era da Cornetagem” possa ser anunciado, pede-se, em 2007.