Patrocinador também pode ser conselheiro do clube?

Essa pergunta é muito fácil de ser respondida. Qualquer um que torça para o clube também pode se tornar sócio do caquético clube social e participar da vida política do clube. Eu jamais faria isso, mas tem gente que quer muito participar daquilo tudo.

Se a Leila Pereira, esposa do dono da Crefisa e da Faculdade das Américas (FAM), quer mesmo fazer parte da política do clube e injetar dinheiro no futebol, qual o problema? Do ponto de vista ético, não vejo nenhum.

Os grandes clubes europeus contam com investimentos de grupos norte-americanos, sheiks árabes e até bilionários russos. Raramente algum “especialista em futebol internacional” aponta algum empecilho, mesmo quando a origem da fortuna do cartola é suspeita.

A Inglaterra, que hoje tem o melhor campeonato do mundo, sempre acolhe muito bem qualquer um que tenha muito dinheiro e esteja disposto a investir por lá.

Também não vejo ninguém reclamando quando bancos controlados pelo governo enfiam tanto dinheiro em alguns clubes de futebol. Todos sabem que há interferência política nas escolhas, que o país está quebrado faz tempo, mas fica tudo por isso mesmo.

Mas voltando ao Palmeiras, muita gente tem receio que o ex-presidente Mustafá Contursi volte a “mandar no clube” com a eleição de Leila Pereira. Peraí, sabe quando que o Mustafá deixou de dar as cartas lá dentro? Nunca.

Qualquer um presidiu ou que venha a presidir o clube deve ter um bom relacionamento com o Mustafá ou não vai conseguir comandar o Palmeiras. O ex-presidente manda no conselho deliberativo e no COF (Conselho de Orientação e Fiscalização) e sem o apoio desses dois órgãos fica muito difícil fazer qualquer lá dentro.

Como torcedor do TIME DE FUTEBOL, o que realmente interessa é que o departamento de futebol continue sendo dirigido por profissionais do ramo. Esse sempre foi também o interesse do presidente Maurício Galiotte e o seu sucessor tem que pensar desta mesma forma.

Se os curiosos, amadores e politiqueiros voltarem ao comando do futebol, o Palmeiras volta para você sabe onde…eles (da oposição e situação) já fizeram isso mais de uma vez. A minha preocupação é só essa.

Não se iluda, torcedor. O sucesso do futebol palmeirense não mudou o panorama político do cada vez mais falido clube social. Aquilo continua sendo o que sempre foi, com raríssimas exceções.

Sobre o rompimento entre o Paulo Nobre e o Maurício Galiotte, acho que o Paulo deveria se pronunciar sobre as acusações de que ele estaria “exigindo um cargo na diretoria de futebol” desta nova administração. Será que isso é verdade mesmo? Espero que não.

Enfim, para mim, a única coisa que inviabilizaria uma candidatura da Leila Pereira (ou de qualquer um) é alguma irregularidade no registro de sócio. Porém, só na Justiça isso poderia ser averiguado com alguma isenção.

Fora isso, desejo boa sorte a ela…ela vai precisar.

Abraço a todos!