Para os amigos, tudo; para os inimigos, justiça, não é, dona CBF?

Mais uma vez os defensores de que há má vontade por parte da CBF em relação ao Palmeiras no quesito arbitragem tem um grande trunfo a fundamentar sua opinião. A anulação do gol de Barcos feito aos 17 minutos da etapa final da partida do Verdão contra o Inter (RS) no último sábado (27) é mais uma prova daquela velha máxima da política: aos amigos, tudo; aos inimigos, justiça.

Após a finalização de um lance confuso, no qual estavam envolvidos diversos jogadores e no qual não era muito fácil apontar uma irregularidade a olho nu, o trio de arbitragem comandado por Francisco Carlos Nascimento validou o gol do atacante argentino. Até que, graças à manifestação de alguém de fora que tinha a informação, após a repetição do lance na TV, de que Barcos havia posto a mão na bola, o tento foi anulado.

O mais importante nesta questão não é o lance em si. Sim, Barcos fez o gol com a mão, o lance foi irregular. Ate aí, todos concordamos, amigos ou inimigos. O que não pode ser admitido é o fato de a anulação do gol ter sido feita graças ao auxílio de meios eletrônicos, o que é PROIBIDO pela legislação vigente no futebol. PROIBIDO. Simples assim.

Se houve erro, que o trio de arbitragem fosse posteriormente suspenso, se fosse o caso. Ou, se ficasse claro o dolo por parte do atacante alviverde , que ele fosse punido, também. O que não se pode admitir é a interferência da mídia eletrônica como forma de alterar as interpretações dos árbitros na partida enquanto a mesma está sendo realizada.

Muito se discute sobre esse tema, mas enquanto a legislação não prever esse tipo de auxílio, ele não pode ser utilizado. Como não foi em 2008, quando até Stevie Wonder viu que Adriano fez um gol de mão, em pleno Morumbi, contra o Palmeiras, no primeiro jogo das semifinais do Paulistão daquele ano, mas a marcação irregular de PCO se manteve e o time do Jardim Leonor acabou vencendo a partida por 2 a 1.

Ou a absurda anulação de um gol de Leivinha, feito aos 39 minutos do segundo tempo em decisão do Paulistão de 1971 entre Palmeiras e São Paulo, quando todos no estádio viram que o atacante finalizou de cabeça, e não com a mão, o que só o folclórico juiz Armando Marques enxergou, tirando o gol do Palmeiras.

Curiosamente, esse tipo de “justiça” só ocorre contra o Palmeiras, notaram isso? Lembro daquele jogo em 2007, se não me falha a memória pelo Paulistão daquele ano, quando anularam um gol de Edmundo a nosso favor, e quem deu a “dica” foi o bandeirinha que estava do outro lado do campo (provavelmente auxiliado por dica dos repórteres de campo).

E que não me venham com aquela conversa fiada de que “o quarto árbitro viu a irregularidade e a denunciou”. É abusar demais da ingenuidade de nós, torcedores. Que essa anulação ocorreu por pressão oriunda dos recursos eletrônicos, é fato. Reclamar disso é nossa obrigação.

A reclamação é simples e pontual, e nada tem a ver com tentativa de justificar um provável rebaixamento do Palmeiras para a Série B do Brasileirão, possibilidade nefasta da qual os principais culpados são os péssimos dirigentes do clube nos últimos anos. O que está em jogo é a tal da isonomia: se vale para um, tem de valer para todos. Todos são iguais perante a lei. Ou será que alguns (São Paulo, Corinthians, Fluminense, Flamengo, Inter-RS etc) são mais iguais do que os outros?