Palmeiras 2x 0 Marília – Parque Antarctica, 16 de setembro de 1979

Quando moleque, costumava encher a paciência de meu pai, que já havia passado dos 60 anos de idade, para me levar ao estádio ver jogos de futebol. Nem precisava ser do Palmeiras, embora esses fossem os que eu mais queria ver. O querido e saudoso Fuad era corintiano, mas nada xiita, e não se importava de, vez por outra, satisfazer a minha vontade. Só que chegou uma hora em que ele não tinha mais gás para me acompanhar. E aí? Em 1979, há precisos nove dias de completar 18 anos, resolvi dar uma de macho, e fui sozinho ao Parque Antarctica pela primeira vez. Peguei o glorioso Lapa e segui feliz, rumo ao Templo Máximo do Futebol. Nem a chuva que parecia inevitável me desanimou, no caminho. Afinal, estava protegido, digamos assim.

Naquele tempo, dava para entrar com guarda-chuva em estádio, e foi o que fiz. Devidamente instalado na arquibancada, fiquei lá na frente e, para poder ver alguma coisa (uso óculos desde 1976), abri o mesmo. Pra quê? Nunca vou esquecer do banho de bolas de papel molhadas que levei durante quase toda a partida. Quando a chuva dava uma maneirada, eu o fechava, mas volta e meia tinha de abri-lo de novo. E tome boladas!

A partida? Bem, o Marília veio encolhidinho, todo na defesa, tentando garantir um empatezinho providencial. O Verdão, na época treinado por Telê Santana, lutava contra a retranca e o gramado molhado. Era um tal de um beque Verde tocando para o outro e bicuda para a frente que era uma grandeza. Primeiro tempo, zero a zero. Segundo, fomos na mesma, até que, após os 35 minutos, nosso grande craque da época, o saudoso Jorge Mendonça, resolveu a encrenca, com um gol de pênalti e outra com bola rolando. Saí feliz com a vitória, mas com as costas doendo de tantos “petardos” que levei. Só voltaria a um estádio doze anos depois, em 1991. Mas essa história eu conto depois