Palmeiras 2016: uma franquia nova, continuação ou remake?

Às vezes me parece que a ‘renovação de espírito’ do Palmeiras (como um todo) pode estar atrelado a algo muito mais complexo do que se imagina. O Alexandre Mattos, nosso diretor de futebol, veio ao Palmeiras com a missão de resgatar a autoestima do torcedor, montar um elenco forte, entre outras reconstruções a mais, e acho que ele conseguiu fazer isso parcialmente.

Creio que, inegávelmente, algumas coisas mudaram drasticamente em comparação aos últimos anos. Entre tais mudanças há dois grandes destaques: o Palmeiras soberano no mercado da bola e a perspectiva do palmeirense ao assistir uma partida. Essa mudança de postura fez com que acreditássemos estar vivenciando uma nova Era, ou, em outras palavras, assistindo a um filme diferente – e continuo acreditando nisso.

No entanto, puxando o gancho dessa analogia, sabemos que, quando um diretor experiente assume algum projeto cinematográfico, existe a tendência de que muitos detalhes e peculiaridades dos trabalhos anteriores sejam evidenciados ao longo da nova obra, o que pode ocorrer pelo fato do diretor ter construído sua identidade ou pelo mesmo ser fraco.

Mas aonde quero chegar com essa conversa?

Antes de tudo, não estou clamando pela saída de ninguém do Palmeiras, muito pelo contrário! Tanto o Paulo Nobre quanto o Cuca e o próprio Mattos têm meu voto de confiança, pois errar todos erram – afinal, estamos falando de futebol –, mas há muito mais acertos do que erros se colocarmos tudo na balança.

O que de fato acontece é que estamos presenciando muitas cenas clichês irritantes, como aquelas onde o pai perde a peça de teatro em que o filho participa; casais que se beijam após desavenças; o Jason deixando restar uma sobrevivente desprovida de inteligência; heróis da Marvel fazendo piadinhas a todo momento, etc.

No Palmeiras, o clichê da vez é decepcionar a torcida com uma maestria ímpar, que variam entre derrota por goleada anual, derrota dentro de casa por um time pequeno e, também, por papelões como aquele que vimos ontem. E o pior de tudo é que esta última sempre acontece após uma boa e convincente vitória, o que, no mundo do cinema, pode ser traduzido pelas cenas em que o melhor personagem morre.

Portanto, se a ideia aqui é desenvolver uma nova franquia, deve-se evitar ao máximo que ela pareça uma continuação ou remake de alguma outra – ao menos se quiser que o negócio dê certo. Infelizmente ninguém parece saber o que deve ser feito para cortar esses erros, e isso muito me preocupa, pois esse é o tipo de coisa que não pode mais acontecer com tamanha frequência, senão vai virar uma marca registrada dos filmes protagonizados pelo Palmeiras.

E na boa? Já estamos cansados de tantos filmes ruins, são sempre um mínimo de 90 minutos perdidos…

Abraços a todos!