Pablo, um argentino Palmeirense

Cheguei a esta terra em julho de 1980, proveniente dos “pampas” argentinos, trazendo na bagagem a flâmula do River Plate, e a convicção de que a gente nasce apenas para torcer por um único time. E cá estava eu num novo País, vendo a massa torcer, cada qual pra sua escolha, mas eu permanecia firme, aferrado àquela minha fidelidade, porém “viúvo”.Naquela época somente ficava sabendo dos resultados ao comprar o “Clarín” nas bancas do centro da cidade, que chegava com dois dias de atraso e Ainda, para completar a frustração, não havia por aqui nenhum “hincha de boca” para zoar após as rodadas portenhas. Eu sei que era feliz, mas minha vida estava incompleta, os domingos eram esquisitos, faltava algo… Aí conheci aquela que hoje é a mãe do meu filho, e como ninguém é de ferro…

Mas a história continua, quando a gente casa ganha de brinde um monte de figuras que os malucos por aí chamam de família, e comigo não foi diferente. Dentre essas personagens ganhei um sobrinho: uma mistura de louco aloprado, imitador de tudo que emite sons, gozador de carteirinha, poeta do apocalipse, e outras coisinhas mais que não posso falar para não lhe queimar o filme, quem por sua vez tem a facilidade de atrair como um imã outras tipos não menos psicodélicas que aparecem por aí.

Pra encurtar a ladainha resultou que este tal personagem “sobrinho” era torcedor do Palmeiras e “herói” do meu rebento que com uns 4 ou 5 anos “virou a cabeça” pelo Glorioso Verdão. E como a vida tem dessas coisas, creio que sou o único pai que escolheu um time pra torcer por causa do filho e do sobrinho, quando o normal é o inverso.

No início sentia que tinha traído meu River Plate, e cheguei à conclusão que sim, realmente traí. E se estivéssemos falando de mulheres diria que traí com uma baita de uma Gostosa e VALEU A PENA!!

Essa volta toda é pra dizer que é um prazer ir assistir o Verdão, em companhia dos malucos do Mondo Palmeiras, (dentre eles meu sobrinho Flavio Canuto), e ainda ver que o sucesso é para aqueles que fazem as coisas com o peito aberto, sem reservas e com gosto pelo que fazem, e eu digo o”sucesso”, porque fui testemunha neste sábado 23 de Março de dois fatos loucos:

  1. Um torcedor reconheceu os mentores do Mondo Palmeiras, no meio da Turiassú lotada, apenas pela risada do Flavio, e acabou juntando-se a nós e assistimos o jogo juntos. Valeu Leandro!!!
  2. Um outro torcedor já na arquibancada reconheceu a galera do Mondo Palmeiras pela voz do Raul que estava xingando e incentivando o time com suas “sonoras” no meio da galera, e deu a maior força.

Com relação à parte técnica e tática do jogo, só vou dizer que gostei, o resto não importa. O que importa é que ganhamos, continuamos no G4, e Chuuuuupa Magrão!!!