O último Homem

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“Amigos, eis a verdade eterna do futebol: o único responsável é o goleiro, ao passo que os outros, todos os outros, são uns irresponsáveis natos e hereditários. Um atacante, um médio e mesmo um zagueiro podem falhar. Podem falhar e falham vinte, trinta vezes, num único jogo. Só o arqueiro tem que ser infalível. Um lapso do arqueiro pode significar um frango, um gol e, numa palavra, a derrota”

marcao.gifAssim Nelson Rodrigues descreveu o Camisa 1 na obra “A pátria em chuteiras”. Pois que o escritor pernambucano faz pensar em quão árdua tem sido a sina do infalível no Parque Antarctica. E logo se nota que não bastou ao destino zombeteiro postar mais um ídolo alviverde na linha do gol. Mais um goleiro? Não! O Goleiro. Artigo definido para o inconteste, já que dele o futebol exigiria mais.

Em 1992, Marcos Roberto Silveira Reis viria de Oriente à Capital do Estado para conquistar 15 milhões de pessoas ao redor do mundo. Antes da glória, no entanto, esperou por sete para alcançar a Um e levantar a primeira taça como titular absoluto do Palmeiras, Campeão da Libertadores 1999.

De lá até aqui, superou 13 graves lesões para honrar os versos de um hino, o Hino, por 352 partidas. E deixou estupefata a imprensa ao rejeitar, já ‘Herói do Penta’, o sonho americano da proposta européia. Escolheu disputar a B nacional de verde e branco. “Não poderia virar as costas para o Palmeiras”. Ele, o Goleiro, acostumado à contramão do jogo, recusava-se a seguir pela direção dos demais. “Eu não poderia agir como jogadores que não têm a menor identificação com o Clube”.

À Nação, sempre soaram inequívocos os motivos do Arqueiro. Marcos não poderia abandonar o Palmeiras porque eu não posso. Porque você não pode. Não pode porque é, antes de ser o, apenas mais um. Um de nós. “Jogo no Palmeiras com amor! Jogo no Palmeiras não para ter um busto, uma cativa ou para viver aqui para sempre. Depois que eu parar vou à bilheteria, vou comprar um ingresso para ver o jogo e vou torcer”, *disse aos palmeirenses, o Palmeirense.

*Marcos, em entrevista ao blog “Terceira Via Verdão”