O tabu fajuto dos mata-matas Verdão x São Paulo

Como forma de baixar a auto-estima do palmeirense, muita gente fica batendo na tecla de que, em mata-matas, o Palmeiras sempre perde para o São Paulo. É como se entrássemos em campo já com uns dois a zero a favor do time do Jardim Leonor. Mesmo o brother Mauro Beting publicou essa estatística em sua ótima coluna, no Lance de segunda-feira, obviamente sem as más intenções de outros setores da mídia. Os números existem e são inegáveis. Mas podem ser analisados sob outra ótica.

Cada dia que passa, fica mais claro que o imponderável dá os seus pitacos no futebol, mas o que decide, mesmo, é o famoso “quem está bem preparado e joga melhor”. Analisando cada uma das fases eliminatórias decididas entre nós e “eles”, chegaremos à mesma conclusão: ganhou quem estava melhor. E, para nosso azar, aí sim, eles tinham equipes superiores às nossas. A exceção fica por conta das oitavas-de-final da Libertadores de 1994, mas a explicação é simples: enquanto o limitado time de Telê Santana, que escapou de uma goleada na primeira partida, ficou treinando para o segundo jogo durante quase um mês, nosso Palmeiras fez uma lamentável excursão pela Ásia, com os jogadores chegando exaustos e fora do fuso horário. De quebra, Mazinho e Zinho jogaram como titulares na Copa dos EUA, enquanto os são-paulinos (Raí, Ronaldão e Zetti) quase não entraram em campo. Aí, deu zebra, e os caras nos eliminaram, para depois perderem o título para o Vélez Sarsfield em pleno Morumbi.

De resto, em todas as outras eles estavam melhores. Se bem que, mesmo assim, também tiveram o auxílio da arbitragem, vide as Libertadores de 2005 e 2006, especialmente na segunda, com aquele pênalti “mandrake”. Quando vivíamos ótimos momentos, ou não cruzamos com esse time, e ganhamos nossos títulos em cima de outros adversários, ou detonamos eles, vide a semifinal do Brasileirão 1993, com aquele golaço do César Sampaio.

Então, pelo amor de Deus, parem com essa história de que “em mata-matas, só dá São Paulo”. Eles ganham quando estão melhores. No momento, temos um time superior, que está jogando o fino da bola, com um técnico vencedor e um dos mais bem montados elencos do país. Bem superior ao deles, que freqüentemente nem reservas tem para colocar em campo. Não é nenhuma estatística que irá nos derrotar. Simples, assim. Para tristeza do Bonequinho Hardy, que urra de ódio aqui ao meu lado.