O sonho de uma torcida argentina em verde e branco

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Após o empate de 2 a 2 entre Palmeiras e Sport Recife, eu conversava com André Nery, o idealizador e líder do projeto da Web Radio Verdão, e ele lembrava da final da Libertadores de 2000, quando perdemos para o Boca Juniors.

Um Morumbi lotado de palmeirenses não conseguia fazer mais barulho do que uma meia dúzia de três ou quatro argentinos, que gritavam e pulavam o tempo todo. E no final, o time deles levou o nosso sonho do bicampeonato.

Isso me fez relembrar a profunda admiração que tenho pelo torcedor de futebol argentino. A postura varia de time para time, mas normalmente parte do seguinte pensamento: se é  para torcer, vamos torcer de forma entusiástica do primeiro ao último minuto de jogo.

Depois, se for o caso, que surjam as vaias. Mas só depois. Enquanto a bola está rolando, o apoio é incondicional, vibrante, de mexer com o mais cerebral e frio dos jogadores. Amor incondicional.

Infelizmente, essa é uma característica nada freqüente na torcida brasileira em geral. Aqui, a postura costuma ser a do “fairweather friend”, termo americano usado para denominar aquele torcedor que só apóia o time quando tudo está bem, e que logo some ou se torna um opositor agressivo quando a coisa se complica.

Traduzindo para o português, é o chamado “torcedor do tempo bom”. Esse torcedor não serve, não presta pra nada. Deveria ficar em casa.

O palmeirense em particular adora vaiar jogadores e o time para o qual torce. Perde logo a paciência e parte para a ignorância.

Na quarta feira, o time de fato jogou um péssimo primeiro tempo. Mas que os torcedores presentes jogaram a toalha logo após o segundo gol pernambucano, ninguém pode negar. E só voltaram a apoiar o time de fato após o primeiro gol. Ah, se fosse na Argentina…….

Por isso, não canso de sonhar com o dia que verei uma torcida palmeirense à moda argentina com bandeiras, camisas e apetrechos verde e brancos. Que apoiará seu time independente do que estiver ocorrendo em campo.

Que acreditará no mesmo incondicionalmente. E que, dessa forma, ajudará atletas às vezes fracos e /ou dispersos a crescerem em campo, e a renderem mais do que seriam capazes, se fossem apenas vaiados e criticados.

Tem mais. Agindo dessa forma, o torcedor se divertiria mais. Sairia mais feliz do estádio, mesmo com uma eventual derrota nas costas. E teria a sensação do dever cumprido. Ou será que quem vaia o tempo todo acha que, de fato, faz algo de bom a favor do seu time?

Desculpem a comparação, mas é  como bater na mulher e dizer que a ama. Que raio de amor é esse? Amor é apoiar, acreditar, superar limites para que aquele que se ama vença e realize seus sonhos.

Parece um sonho impossível, mas continuarei sonhando. E, justiça se faça, a torcida alviverde já viveu seus momentos de alma portenha na hora de apoiar seu time na era Felipão, na dura era da segunda divisão, ou mesmo em alguns outros momentos isolados de sua história. Tomara que se tornem mais freqüentes……..

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E você, o que acha de vaiar o próprio time durante uma partida? Acha certo ou justificável? Ou concorda comigo que se trata de dar tiro no próprio pé? Quero a sua opinião!

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