O Palaia me trinca de vergonha

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Na época em que trabalhei no saudoso Diário Popular, nos anos 90, tive a oportunidade de conviver com duas grandes figuras humanas, os diagramadores Marlon e Reginaldo (mais conhecido como Raposão). Quando o Raposão dizia uma daquelas pérolas do absurdo, o Marlon soltava sempre uma frase que me arrancava gargalhadas: “o Raposão me trinca de vergonha”. Pois é, estou tornando essa frase famosa, mas não por uma razão que me deixe feliz. Ontem, ao criar uma coisa intitulada auto-entrevista, o diretor de futebol do Palmeiras, Salvador Hugo Palaia, me trincou de vergonha. Mesmo!

O vetusto dirigente entrou na sala de entrevistas do clube e, ao contrário do que qualquer pessoa munida de racionalidade faria, passou a ler perguntas feitas por ele mesmo e dando as respostas que havia decorado. Foram onze, do tipo “O Marcelo Vilar será mantido?”, com respostas “fantásticas”. A melhor de todas, na minha humilde opinião, referia-se à questão de “o que falta ao Palmeiras atual?” Leiam o que o gênio afirmou: “O que falta? Falta ganhar?”.

Sabe o que falta, sr. Salvador Hugo Palaia? Falta o sr. pedir para sair e ir cuidar de sua vida, de seus bem-sucedidos negócios imobiliários, de sua família. Falta o sr. mostrar verdadeiro amor por essa instituição do futebol nacional chamada Sociedade Esportiva Palmeiras e parar de nos fazer passar vergonha com atitudes absurdas como a dessa “auto-entrevista”. Falta o sr. deixar que pessoas mais capazes e preparadas possam exercer esse cargo tão importante. Falta respeito ao Palmeiras, só isso, sr.Palaia.

Ainda no capítulo lembranças, o genial Silvio Luiz, um de meus ídolos na área do jornalismo esportivo, adorava zoar com o jogador Tita, do Flamengo, que na Seleção Brasileira nunca repetia as boas atuações que realizada no time carioca. A cada nova jogada errada, o Silvio soltava a frase hilariante: “Ô, Tita, telefone, Tita, pede pra sair, Tita!”. Não seria uma boa idéia o Sr.Palaia ir atender o telefone e se mandar, também? Chega de humilhação, pelo amor de Deus!