O meu pé esquerdo sangrando em um Pacaembu lotado

O palmeirista do Brasil e do mundo teve de ouvir durante dias e mais dias uma frase repetida por vários integrantes da imprensa especializada paulistana: “a torcida está abandonando o Palmeiras”. A provocação tinha a ver com o número de alviverdes presentes às últimas partidas do seu time de coração.

Pois bem. Bastou a diretoria acordar e colocar os ingressos para Palmeiras x Sport a preços mais próximos da decência, ou seja, arquibancada a R$ 20, para que uma partida válida pela 22ª rodada de um campeonato que terá em seu total 38 se tornasse um verdadeiro fenômeno de audiência na noite deste desde já histórico 6 de setembro de 2012.

Véspera de feriado prolongado. Time na zona do rebaixamento. Os três pontos valendo apenas a subida na tabela de um lamentável 19º lugar para um também fraquíssimo 17º lugar. Quem se meteria a ir em uma partida dessas, que não decidiu rigorosamente nada?

Resposta: 30.463 pessoas, que lotaram o estádio do Pacaembu e apoiaram incondicionalmente o seu time do primeiro ao último minuto. Um espetáculo de arrepiar quen ama o Alviverde Imponente. Nem o fato de a partida virar em um assustador 0x0 desanimou os alviverdes, que quase gritaram gol no chute de Obina que foi na trave e quase infartaram ao ver Felipe Araújo exigir grande defesa de Bruno.

Mas o segundo tempo trouxe àqueles verdadeiros heróis abnegados a recompensa que eles e, justiça se faça, o time do Palmeiras mereciam na partida. Flávio Canuto fez uma descrição perfeita do jogo, não vou me repetir aqui. Mas valem alguns detalhes de quem estava lá.

Primeiro: para felicidade de todos, o time não sentiu quando tomou o gol de empate. E olha que foi do caricato Rivaldo, nosso ex-jogador, que se sentiu no direito de tirar um sarro da massa alviverde. Só que sua alegria durou exatos dois minutos, quando Thiago Leal fez seu primeiro gol com o manto sagrado alviverde. Podia ter dormido sem essa, não é, Rivaldo Genérico? Esse vai pensar duas vezes antes de dar uma vacilada dessas…

“Thiago Real”, já deve estar corrigindo o torcedor que não esteve no campo. Pois cabe a explicação: o placar eletrônico do Pacaembu nomeou nosso novo e promissor meia-atacante como Leal, e não Real, na escalação, e manteve o erro na hora de anunciar o autor do segundo tento palmeirense. Seria o operador do placar um primo do Cebolinha? Cartas (nossa, que coisa de dinossauro!) para Mondo Palmeiras.

E foi lindo ver, após o apito final, a festa que aquela multidão fez ao comemorar Palmeiras 3×1 Sport. E uma torcedora fez um baita de um sacrifício para estar lá. Foi Tânia Clorofila, popular torcedora e um dos melhores textos da mídia alviverde.

A moça teve um problema em um dos dedos de seu pé esquerdo que teriam levado qualquer pessoa sensata, digamos assim, a ficar em casa e não ser cobrada em nada por não ir ao estádio.

Pois não é que ela estava lá, com o pé sangrando e tudo? Sangrando mesmo. Aguentou firme! E só não saiu ainda mais feliz porque seu ídolo Valdívia, que, justiça se faça, jogou uma boa partida, não guardou o dele. Mas mandou uma bela bola na trave!

Tânia Clorofila representou com perfeição como é o torcedor alviverde.”A torcida está abandonando o Palmeiras?” Pense novamente ao ler/ouvir tal asneira. A gente vai ajudar esse time a sair do buraco. Ponto a ponto, vitória a vitória. Como sempre!!!