O meia polonês dos anos 60

Por Raul Bianchi

Impressionante como a política interna do Palmeiras é prejudicial ao clube, o tempo todo.

Ao invés de discutirmos sobre futebol, que é a razão de ser do Alviverde, discutimos política, discutimos sobre pessoas que sequer sabem chutar uma bola e, muitas delas, tenho certeza, nem sabem para que serve uma bola de futebol.

Em vez de tentarmos imaginar qual será a formação do Palmeiras na próxima partida, quem será o destaque do jogo, se o Felipão vai escalar o Rivaldo ou não, estamos tentando saber qual será a próxima bomba que virá.

Algumas pessoas não gritam “Palmeiras” no estádio, mas ficam gritando ao celular problemas internos do clube, e nós tentamos saber qual o próximo documento interno que vai vazar na imprensa, quem saiu da oposição e foi pra situação e vice-versa, quem está brigando com quem, quem não fala mais com quem, enfim, quem vai ferrar o clube.

Impressionante como nós, palmeirenses, somos obrigados a saber mais os nomes de nossos diretores, conselheiros, agitadores, até dos porteiros, muito mais do que saber os nomes dos jogadores que compõe o elenco do futebol profissional do clube!

Se você perguntar a um são paulino quem é o tal “Leco”, ele dirá que é o leite, nunca um diretor de seu clube. Ou se você perguntar a um corintiano quem é “Mané da carne”, ele dirá que é o apelido do açougueiro perto da casa dele e não um conselheiro.

Mas se você perguntar a um palmeirense quem é Gilto Avalone, ele lhe dirá sem pensar: “Ah, é aquele conselheiro que admitiu que vaza documentos do clube para jornalistas, né? Eu li a matéria!”

A atração por holofotes que as pessoas têm dentro do Palmeiras é algo que assusta.

Desde porteiro até faxineiro do clube, todos sempre sabem de algo que não era pra saber, sempre sabem da “próxima contratação”, ou do “cara que vai pra sindicância amanhã porque xingou um diretor”.

Agora experimente ir ao clube e perguntar para a maioria do pessoal que freqüenta o “bar do tênis” ou as alamedas, quem é Fabio Szymonek. Perguntei isso, num evento recente do Palmeiras, a dois antigos conselheiros e eles disseram com toda convicção que era um “meia polonês dos anos 60, que eles viram jogar”. Esse é o Palmeiras com o qual nós, torcedores, temos de lidar.

Mas esse não é o Palmeiras que nós queremos. Desejamos ver o Verdão sempre disputando títulos, buscando seu lugar no topo do cenário do futebol mundial, e não um clube onde a maior preocupação é o PH da piscina!

Espero que um dia nosso time de futebol esteja livre dessa gente chata, velha, fofoqueira e que só pensa no próprio umbigo.

Em tempo, Fabio Szmonek não é um meia polonês dos anos 60, e sim, nosso quarto goleiro do futebol profissional.

Abraço a todos!