Nem o tempo será capaz de arrancar nossas raízes

Sempre pensei que o maior trabalho de ser palmeirense — o que o Fabian genialmente chama de ser profissional — é torcer para um clube que: cresceu com uma vocação para vencer; sempre teve equipes fortes em todos os setores do campo; é campeão do Século XX; teve grandes ícones do futebol vestindo sua camisa, que, por sua vez, sempre pesa muito aos que não têm personalidade; além de outros fatores que fazem do Palmeiras um clube onde são poucos os capazes de corresponder.

Curioso é que hoje, há exatamente 10 rodadas dessa ‘saga’ chamada Campeonato Brasileiro, todos nós que acompanhamos futebol há anos estamos surpresos com que nosso elenco tem apresentado, pois, nos últimos tempos, é um futebol que mais se aproxima do que o palmeirense considera ideal.

E, sem dúvidas, o Cuca é o grande autor desse mecanismo instaurado no Palmeiras. Eu, particularmente, percebi quão limitado é meu entendimento sobre futebol quando nosso time fugiu da mesmice, apresentando um futebol versátil, veloz e ofensivo, mas ao mesmo tempo consistente.

Basta assistir aos demais jogos da rodada para ver o quanto nosso Palmeiras é destoante com relação aos outros times. É como fazer uma analogia entre a tabela e o Rio Tietê: a ponta da tabela é como a nascente, o Palmeiras representa aquela água limpa, e o restante representa a imagem do Rio que todos nós já conhecemos.

Seria esse o tal futebol moderno? Só se for para os infelizes (como eu, futebolisticamente falando) que passaram a ver futebol no fim da Era Parmalat, uma geração que se aproximou do futebol em um momento medíocre, com os grandes craques se aposentando, e a Europa cada vez mais dominando o futebol mundial.

Já conversei muito com os palmeirenses da velha guarda e alguns boleiros aposentados, que viram as duas Academias e tudo mais que lamento não poder ter visto, e, para eles, o verdadeiro futebol sempre foi isso. Mudam-se os esquemas táticos, a estratégia passa a ter mais espaço, porém a essência é a mesma de antigamente.

E quem — assim como eu — gosta de ver jogos antigos na íntegra, talvez perceba a diferença de postura dos antigos jogadores, o jeito que costumavam destruir as marcações, sempre limpando com dribles antes de tocar a bola, construindo espaços onde não existe espaço. Achei que levaria mais tempo para isso voltar a acontecer, mas parece que esse Palmeiras de 2016, embora ainda tenha muito a evoluir, está buscando se aproximar do que faziam aqueles grandes times.

Por que não se empolgar com isso? A mídia pode nem dar bola para a fase vivida pela equipe, mas sabemos que se fosse o SCCP ou SPFC apresentando um futebol nesse nível, todos estariam babando ovo e chamando de “time de Champions League”. Só sei de uma coisa: o Cuca está sendo ‘o cara’, e agradeço a ele por ter resgatado essa essência do que é jogar no Palmeiras.

Abraço a todos!