Narciso, um craque na escola da superação

O Palmeiras, como todos nós, torcedores, já sabemos há algum tempo, está em uma sinuca de bico. Todos também sabemos que os principais culpados por essa situação, que vive agora um de seus momentos mais dramáticos, são nossos queridos dirigentes, que com suas lutas políticas e egos exacerbados nos proporcionaram essa draga toda.

O fato de ter dispensado Luis Felipe Scolari já pode ser considerado um verdadeiro milagre por parte do presidente Arnaldo Tirone. Ele é aquele tipo de pessoa que você olha em uma mesa, dando uma coletiva, e tem a nítida impressão de que a qualquer momento o cara pedirá para ir ao banheiro e sumirá para sempre. Não nasceu para o cargo, não adianta. Decidir definitivamente não é com ele. Nem com os Frizzos da vida.

Agora, como seria de se esperar, Tirone não consegue traçar um plano lógico para tirar o time da zona do rebaixamento do Brasileirão 2012. Convida profissionais que assumiram outros clubes há pouquíssimo tempo, cogita trazer gente que os jogadores e torcedores odeiam, afirma estar calmo quando todos sabem que está perdidinho… Um horror.

Mas o acaso pode estar a nosso favor. Como interino, assume o difícil cargo de treinador do Palmeiras o ex-jogador Narciso. E se há algo que esse cara conhece como poucos é superar dificuldades.

Como atleta, teve destaque no Santos em uma fase na qual o time praiano não ganhava nem campeonato de par ou ímpar. Ótimo volante, chegou a ser cogitado por Felipão para jogar no Verdão lá pelos idos de 1999.

Em 2000, o destino pôs em seu caminho um tipo raro de leucemia, doença que costuma punir com a morte um número considerável daqueles que cruzam o seu caminho. Com muita fé, garra e persistência, conseguiu vencer o feroz adversário em 2003, e, pasmem, voltou a jogar futebol.

Após deixar os campos, em 2006, endereçou seus esforços rumo a uma carreira como treinador. Nas categorias de base do Santos, faturou dois campeonatos, além de ser vice da Copa São Paulo em 2010. No Nome Feio, foi além, conquistando a Copinha em janeiro deste ano. Sabe-se lá porque, ganhou como prêmio daquela gente um solene bico nos fundilhos.

No dia 31 de julho, ele assinou com o Verdão para tomar conta do nosso time sub-20. E agora, muito antes do que se poderia esperar, cai em seu colo a chance (ou bucha, você escolhe) de comandar o time profissional do Palmeiras, justo no clássico contra o nosso maior rival, o clássico mais importante do Estado (e do país, provavelmente).

Se vencer a partida deste domingo (15), Narciso pode até ser efetivado no cargo até o fim do ano. Uma análise ponderada certamente nos levaria a dizer que esta não é a melhor solução. O melhor, na minha opinião, seria contratar um técnico experiente em situações de risco para nos comandar até o fim do ano.

Mas o momento é de união, de pensamento positivo, de torcer para o pior não ocorrer. Então, fica aqui todo o meu apoio a Narciso. Que ele possa ser forte, tenha o apoio dos jogadores (decisivo nessa hora, pois no fim das contas são eles que decidem na hora agá), dirigentes (toc,toc,toc), torcedores etc e consiga nos livrar do rebaixamento. A sorte está lançada!