Não peguem o Wendel para Cristo, por favor!

Em 20 de novembro de 2006, foi ao ar a oitava edição da Rádio Mondo Palmeiras. Como convidado especial, uma das revelações da equipe naquele triste ano, o volante Wendel. Único fruto positivo da lamentável era Marcelo “Técnico Pãozinho” Vilar, o atleta estreou no Verdão logo em uma fria, a primeira partida das oitavas de final da Libertadores, contra o Jardim Leonor, e esbanjou raça no empate em um gol. Pois bem. Chegou a hora de, mais uma vez, defender esse valoroso jogador aqui, neste espaço democrático.

Após as últimas partidas fracas disputadas pelo Palmeiras, vários jogadores foram detonados, e Wendel novamente entrou no bolo. O que me incomoda é a justificativa que alguns dão para tal atitude. “Ele não tem categoria, não joga um futebol à altura do nosso time” etc. Ou seja, existe a mentalidade de que, para jogar em time grande, todo jogador precisa ser um craque completo. Ora, gostaria de que vocês me apontassem um único time campeão composto apenas por craques. Um único. Podem quebrar a cabeça à vontade. Não irão encontrar.

A seleção brasileira de 1970, a mais impecável que já vi jogar, incluía em sua escalação Felix, Brito, Piazza e Everaldo, jogadores que não primavam pela técnica. Mesmo Clodoaldo não tinha essa habilidade toda. Preferem exemplos palmeiristas? Bem, Tonhão levantou várias taças por aqui, mesmo caso de Galeano, Amaral, Flávio Conceição, Eurico, Zeca, Edu Bala e tantos outros. E a galera do Jardim Leonor ganhou tudo contando com Souza, Leandro Ratinho, Ronaldão, Dinho Paulada e Aloísio, só para citar alguns.

Meus caros, o Wendel é um excelente jogador. Não é técnico, não faz gols nem tem toque de bola refinado, mas é marcador implacável, e corre do primeiro ao último minuto. Joga para a equipe. Quem quer ser campeão precisa ter gente desse naipe em suas fileiras, os chamados carregadores de piano. Que culpa tem ele se os “pianistas” estão em má fase, ou ainda se adaptando ao elenco?

Tenho certeza de que, quando os Diego Souzas, Lennys, Valdívias e Denílsons da vida se entenderem, o apoio de guerreiros como o Wendel será decisivo para nossas vitórias. Na vida, são necessárias e importantes pessoas para todas as tarefas. Ou vocês conseguem imaginar o Valdívia correndo o jogo inteiro, dando carrinhos e jogando de volante, lateral ou terceiro zagueiro? Da mesma forma, não é a do Wendel fazer gols, dar dribles e show. Podem me cobrar: ele fará parte de times campeões. Tomara que seja o nosso, e acredito muito nisso.