Não joguem a toalha antes da hora

O palmeirense é um emotivo por natureza. Há muito não vejo uma onda tão forte de otimismo seguida de imenso pessimismo em um prazo tão curto. No domingo, último dia de agosto, após boa vitória na Arena da Baixada contra o Atlético (PR), a maioria apostava em uma irresistível arrancada rumo ao título.

Na quarta feira, no primeiro jogo do Verdão no mês de setembro, tivemos nossa primeira derrota em casa no ano, contra o Sport. E aí? O extremo oposto passou a prevalecer. “O título já foi, podem dar a taça ao Grêmio, fora, Luxa, fora, Della Mônica!”. A poeira baixou. Que tal uma análise mais fria?

Para começo de conversa, faltam ainda 14 rodadas a serem disputadas, o equivalente a 42 pontos em aberto. Para que vocês possam ter uma idéia do que isso significa, o atual lanterninha da competição, o Ipatinga, chegaria a 63 pontos se vencesse todas as suas próximas partidas, o que significa 14 pontos a mais do que o atual líder da competição, o Grêmio. Em termos numéricos, está tudo rigorosamente em aberto, principalmente se levarmos em conta que não há nenhum super time disputando esse campeonato.

Grêmio, o líder, com 49 pontos ganhos, perdeu algumas chances de disparar na frente, e terá pelo menos dois jogos terríveis pela frente, ambos fora de casa: Verdão, no Palestra, e Cruzeiro, no Mineirão. Seis pontos separam a equipe gaúcha dos mineiros e, por tabela, de nós, que temos o mesmo número de pontos deles, mas estamos atrás por causa do saldo de gols, 13 contra 9.

Nossa campanha, após 24 rodadas: 43 pontos ganhos, com 13 vitórias, 4 empates e 7 derrotas, 38 gols a favor (melhor ataque da competição ao lado de Grêmio e Flamengo) e 31 gols contra (décima primeira defesa do torneio, nosso calcanhar de Aquiles). Um ponto nos separa do quarto colocado, o Botafogo, três do Flamengo, o quinto (que tem duas vitórias a menos do que nós) e quatro do Jardim Leonor. Ou seja, nem uma derrota contra o Cruzeiro (toc, toc, toc!) nos tirará do G4 após a próxima rodada.

Então, pessoal, vamos chorar menos e parar de ficar pregando desgraça onde ela não existe. Concordo que o Luxa e sua comissão técnica custam muito caro para ficarmos só em torno da conquista de vaga na Libertadores, mas o objetivo continua sendo o título, e ele permanece totalmente viável. Guardemos nossas cornetas. Parece o mais racional. Mas cobrar racionalidade de torcedor de futebol é como cobrar coerência dos políticos brasileiros.