Não é mole, não, NÃO perder a cabeça virou obrigação!

Por Fabian Chacur

Após tomar o segundo gol contra o limitado time do Sport, parte das mais de 21 mil pessoas presentes na noite deste sábado (24) no estádio do Pacaembu começaram a cantar um coral sempre presente em derrotas na antevéspera de jogos decisivos: “não é mole, não, quarta feira virou obrigação”.

Pois bem, meus amigos e amigas que amam o Alviverde Imponente. Eu me atrevo a desafiar esse coral agressivo e intimidador no pior sentido da palavra. A frase que realmente nos ajudaria, nesse momento de dúvida e insegurança, seria esse aqui: “não é mole, não, NÃO perder a cabeça virou obrigação”. E acrescentaria mais isso aqui: “e salvação”.

A explicação é simples. Vamos inicialmente aos números cruéis. Se tivéssemos vencido o time pernambucano em casa, isso sim uma obrigação que infelizmente mais uma vez não concretizamos, teríamos ultrapassado o Santos e voltado ao G 4 do Brasileirão 2015, graças ao empate da equipe peixeira em Florianópolis.

Como isso não ocorreu, agora estamos a 2 pontos dos nossos adversários, na luta pela vaga na Libertadores 2016. Para nosso azar, a tabela no Brasileirão 2015 aponta como nossa próxima partida um Santos x Palmeiras na Vila Belmiro, onde o time treinado por Dorival Junior tem sido perfeito em termos de fazer valer o mando de campo, ganhando de todos que aparecem por ali.

Se por ventura perder a classificação para a final da Copa do Brasil no jogo de volta no meio da semana contra o Fluminense e se no fim de semana for vencido pelo Santos (resultados bem possíveis, por sinal), o Palmeiras perderá sua única chance de título no ano e irá para a UTI em termos de chances reais para conseguir a oportunidade de ir para a Liberta. Ano perdido, então?

Não, não podemos pensar assim. Aliás, nós, torcedores comuns e frequentemente passionais, até podemos. Faz parte de nosso DNA, para o bem ou para o mal. Mas nossos atuais dirigentes não podem cair nesse erro. E vai depender do discernimento deles um futuro positivo para o nosso amado Verdão.

Ao contrário de anos anteriores, o Palmeiras em 2015 avançou bastante na direção de voltar a ser o que foi em seus tempos áureos. Ganhou clássicos, venceu oponentes tradicionais, quebrou alguns tabus amargos contra Corinthians e Internacional, foi vice-campeão paulista, humilhou o odioso São Paulo Futebol Clube e só lutou na parte de cima das tabelas dos campeonatos que disputou. Isso se chama progresso.

Alguns problemas nos dificultaram ir mais além. Derrotas em casa para times medianos e sem tradição como Sport, Ponte Preta, Atlético Paranaense e Goiás, por exemplo. Se tivéssemos somado os 12 pontos obrigatórios nessas partidas, hoje estaríamos com 60 pontos, com vaga na Liberta garantida e ainda disputando o título. Essas derrotas poderiam ter sido evitadas.

O elenco do Verdão de 2015 é muito melhor do que os montados nos últimos anos. Possivelmente, só perde para o do biênio 2008-2009, nesses anos pós 2000. Tem seus problemas, obviamente, mas nos proporciona uma espinha dorsal interessante, que em seus melhores momentos nos rendeu momentos muito, mas muito promissores mesmo.

Mudar tudo para montar outro elenco, como ocorreu em anos anteriores, seria um erro crasso. Também seria um erro crasso demitir o treinador Marcelo Oliveira. Afinal de contas, nesses anos de chumbo tivemos todo tipo de treinador por aqui, dos com currículos invejáveis aos novatos promissores. Hoje, alguns deles estão se dando bem em outros clubes…

Outro ponto negativo que precisa ser enfatizado, e que se tornou recorrente também de 2000 para cá: sempre perdemos jogadores fundamentais nos momentos decisivos das competições. Ninguém aqui entende de medicina esportiva e preparação física de atletas, mas é preciso contratar alguém que entenda e fazer um mergulho nessas nossas áreas para detectar problemas. Para ontem.

Sem clima de caça às bruxas, obviamente, mas é fato que não dá para ver adversários resolvendo esse tipo de questão e a gente sempre ficar sem nossos atletas mais importantes na hora agá. Todos os clubes sofrem com problemas de contusões, mas o nosso supera as expectativas mais pessimistas.

Resumindo a questão: se por ventura o Palmeiras não conseguir atingir seus dois objetivos mais cobiçados em 2015 (o título na Copa do Brasil e/ou a vaga na Libertadores 2016), é preciso que nossa direção tenha sangue frio e saiba agir sem cabeça quente. Senão, meus amigos e amigas, daremos uma de Marty McFly e voltaremos ao passado, tipo 2002, 2012 e coisas do gênero. Você deseja isso? Eu não!
* Se você for ao jogo de quarta-feira (28) contra o glorioso “Tapetinense”, vá com o espírito de incentivar a equipe alviverde do primeiro ao último minuto. Se não tiver paciência ou entrar na toada de quem quer ver o circo pegar fogo, por favor, fique em casa e veja a partida pela TV. Nosso Verdão agradece!