Medo da felicidade?

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O Palmeiras vivencia um momento interessante em sua história. Por dois motivos: demonstra uma melhora visível e animadora em relação aos últimos anos dentro e fora de campo e tem, atualmente, reais possibilidades de encerrar um incômodo período sem conquistas.

Escrevi em artigos anteriores para este blog sobre a evolução experimentada (porém ainda não completada) pelo Palmeiras. A comissão técnica venceu grandes desafios ao enfrentar a ira de parte da torcida e de conselheiros afoitos que queriam degolar Caio Júnior. Apesar de já ter feito críticas ao treinador, suas qualidades não devem jamais ser ignoradas. Não é um técnico que vá acertar sempre (nenhum acerta), mas caminha, junto com o elenco, para um aperfeiçoamento, que tem um preço alto e exige sacrifícios, mas que trará grandes recompensas no devido tempo.
 
Apesar de ter a possibilidade de me estender sobre o primeiro motivo citado acima, prefiro me ater neste texto ao segundo: a possibilidade concreta de conquistar o título brasileiro de 2007.

Fazendo um balanço do 1º turno, no qual o Palmeiras terminou no bolo dos que lutam pelas primeiras colocações, com 30 pontos ganhos (10 a menos do que o atual líder), verificamos 8 vitórias, 6 empates e 5 derrotas. Não é um desempenho ruim. Porém, não é o que nós almejamos. É preciso mais.

Das cinco derrotas, três foram dentro de casa (Atlético-PR, Cruzeiro e Sport). Nas três partidas, o time mostrou deficiências de marcação, saída de bola e finalização (o tripé fundamental de um time de futebol).

Com as lições aprendidas, podemos traçar para o 2º turno uma melhora no desempenho em casa. É importante ressaltar que não são apenas as derrotas que nos prejudicam. Os empates também. Em um campeonato de pontos corridos, sabe-se muito bem que um empate não significa um ponto ganho, mas dois perdidos, principalmente se este ocorrer dentro de casa.

Contra o Internacional, o Palmeiras vencia até os 38 minutos do segundo tempo. Sou contra a tese de que devemos sempre jogar como um esquadrão arrasador para “merecermos” a vitória. O Inter foi superior no aspecto técnico? Sim, mas não apenas por méritos próprios, mas principalmente pelas deficiências do Palmeiras em não conseguir manter a posse de bola por mais tempo e não ter conseguido se acertar em campo. Ganhar é a prioridade. O time (jogadores e técnico) deve se auto-analisar, corrigir os próprios defeitos e buscar soluções.

É possível afirmar que, além do peso da responsabilidade de representar o Palmeiras que está sobre os ombros do atual elenco, os jogadores tenham medo da felicidade? Sentem que podem chegar à liderança, mas ao mesmo tempo não se sentem suficientemente fortes em momentos cruciais?

Sim. Sem dúvida alguma.

O medo da felicidade é massacrante. Pode tornar um jogador experiente e consagrado em alguém que comete erros seguidos e é achincalhado pela torcida. Edmundo, por exemplo, já passou por isso em diversos momentos.

O que podemos fazer para ajudar o time a superar esse medo? Torcer, apoiar e, principalmente, acreditar.

O atual líder está 10 pontos na frente. Mas ele sofrerá derrotas e empates. Também perderá pontos.

E não se esqueçam: ainda temos 19 partidas pela frente, nada menos do que 57 pontos em disputa. Preparem seus corações, pois o momento decisivo se aproxima.

*Jonas Gonçalves, 24 anos, é jornalista.