Marcos sai dos campos e torna-se eterno

Por Fabian Chacur

Curiosamente, Marcos Roberto Silveira Reis nasceu em um ano, 1973 (no dia 4 de agosto), em que o Palmeiras era de longe o melhor time do país, conquistando um bicampeonato brasileiro que deixou os torcedores alheios com muita, mas muita inveja mesmo. Era o auge da chamada Segunda Academia, de Dudu, Ademir da Guia e cia bela.

Em 1992, mais uma vez aquele jovem nativo de Oriente (SP) se mostrava pé-quente, pois tornou-se atleta da Sociedade Esportiva Palmeiras exatamente no momento em que a equipe se preparava para retomar o caminho de glórias que haviam ficado para trás naqueles maravilhosos anos 70.

O cara teve muita paciência, pois segurou a onda como terceiro goleiro do Alviverde Imponente durante uns bons anos, e depois como reserva imediato de Velloso. Lá pelos idos de 1996, mesmo jogando apenas eventualmente, chegou a ser convocado pelo então técnico Zagallo para a Seleção Brasileira.

A grande chance, como todos nós nos lembramos muito bem, veio em uma roubada. Velloso se contundiu às vésperas dos jogos das quartas-de-final da Libertadores de 1999, justo contra o maior rival, o Corinthians, e deixou a camisa nas mãos do seu reserva. O resultado nem é preciso dizer qual foi.

O título do mais importante torneio continental do mundo em 1999 e a nova eliminação do mesmo rival alvinegro em 2000, desta vez em uma semifinal, sacramentaram de vez a condição de ídolo do cara. Até apelido beatificado (São Marcos) ele ganhou.

Muita coisa aconteceu desde então. Vitória na Copa do Mundo de 2002 como titular da seleção brasileira (e fechando o gol!), rebaixamento com o Palmeiras no mesmo 2002, volta por cima em 2003 com título marcante na Série B, o belo Paulistão de 2008, a luta contra as contusões…

Agora, como diria o saudoso Fiori Gigliotti, não adianta chorar. Não veremos mais Marcos em partidas regulares representando com dignidade e amor o nosso Palmeiras.

Desta vez, infelizmente, quis o destino que São Marcos saísse de cena em um dos momentos mais patéticos da história do Palmeiras, quando os atuais dirigentes não acenam com nenhuma esperança de trazer o clube de volta a seus anos de glória. Sua última partida com o manto sagrado foi em setembro. E fim de papo.

Quem viu, viu. E nossos filhos, netos, sobrinhos etc sempre irão nos cobrar: “você viu o Marcos jogar: ele era tudo isso?”. E a resposta será sempre a mesma: “tudo isso e muito mais!”. Valeu, goleirão! Eu, por mim, aposentaria a camisa 12 do Palmeiras em sua homenagem!

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Enquanto isso, gente do naipe de Mustapha, Tironi, Frizzo, G. Avallone e tantos outros sequer esboçam vontade de sair de cena.

Preferem continuar martirizando nós, pobres palmeirenses, provavelmente só se aposentando de meter o bedelho nos destinos alviverdes quando forem dessa para a melhor. Ê, oô, vida de gado, povo marcado, ê, povo feliz…