Jogos duas vezes por semana: porque tanto drama?

 Durante os anos 90, com o retorno do interesse dos clubes brasileiros pela Taça Libertadores da América, começaram a ocorrer situações curiosas, especialmente no primeiro semestre de cada ano. Alguns clubes disputavam até três competições simultâneas, normalmente Libertadores, campeonatos estaduais e Copa do Brasil. Isso gerou maratonas que obrigavam seus atletas a encarar partidas às terças, quintas e sábados. 

A coisa ficou tão feia que clubes como Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Grêmio e Cruzeiro eram obrigados a ter elencos enormes, porque não havia jogador que agüentasse o repuxo. No começo deste século, tal situação acabou, quando os times que se classificam para a Liberta deixaram de disputar a Copa do Brasil, podendo, então, se dedicar a apenas dois torneios simultâneos de cada vez.

      Aí, cabe a pergunta que não quer calar: por que tanta chiadeira por causa de dois jogos por semana? O Brasil nunca teve tradição de uma partidinha a cada sete dias. Aliás, nem no exterior, que habitualmente reserva os finais da semana para os campeonatos nacionais e o meio delas para competições tipo Copa dos Campeões e Copa da Uefa. 

Todas as agremiações de ponta, que precisam encarar esse tipo de disputa em duas frentes, contam com infra-estrutura e atletas em número suficiente. Então, acho que essa choradeira toda não se faz necessária. Essa conversa de “precisamos poupar jogadores” ou “precisamos priorizar competições” soa como desculpa de perdedores.

Lógico que uns jogadores se desgastam mais do que outros, mas aí é algo para ser analisado caso a caso, e não como regra. Porque também tem o seguinte: basta uma equipe ganhar folga e ficar semanas sem jogar para a gente ouvir queixas do tipo “precisamos ter jogos, chega de só treinar”. Ah, a eterna insatisfação do ser humano…

E você, o que acha do tema?