Muricy, Jorginho e o bom senso

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Aqui, o jogo é aberto e democrático. Quando a diretoria manda a bola na trave ou fora do estádio, leva chumbo, lógico que com todo o bom senso que se faz necessário nessas horas. E quando acerta, merece elogios.

O final da novela Muricy Ramalho se encaixa feito luva na segunda opção.Nosso presidente e a direção alviverde não poderiam ter sido mais felizes ao contratar Muricy acompanhado apenas por seu auxiliar habitual, o ex-jogador Tata, assim como ao efetivar Jorginho Sobrancelha como o outro auxiliar.

De quebra, começaram a colocar em prática uma reivindicação antiga de boa parte da torcida, que é a criação de uma comissão técnica permanente, contratada pelo clube e alheia às intempéries normalmente sofridas por quem está no comando.

Embora tenha feito um excelente trabalho em sua gestão como técnico interino do Verdão (cinco vitórias, um empate e uma derrota), seria precipitado efetivar Jorginho nesse momento.Afinal de contas, um campeonato longo como o Brasileiro é sempre marcado por altos e baixos, e nessas horas, é sempre bom ter alguém de casca dura e vivido para encarar as encrencas.

Jorginho tem todo o perfil para se tornar um grande treinador,e certamente chegará nesse estágio. Mas o ideal, na vida, é subir degrau por degrau, especialmente quem pensa na carreira como algo sólido e consistente.

E ninguém melhor para falar sobre isso do que o próprio Muricy. Afinal de contas, ele começou sua trajetória na profissão como auxiliar de Telê Santana há cerca de 15 anos. Até ganhou um título da Copa Conmebol nessa função, mas continou nela, mesmo assim.

Depois, passou por vários clubes de pequeno e médio porte, subindo aos poucos. Só voltou ao time do Jardim Leonor em 2006, dez anos depois de sua passagem inicial, totalmente preparado para encarar o que viesse à sua frente. O resultado todos sabem.

A experiência de Muricy será decisiva quando por ventura o Palmeiras entrar em zona de turbulência, e Jorginho certamente aprenderá e muito como se virar nessas situações, sem ficar na linha de fogo antes da hora. E tenho certeza de que, um dia, essa figura simpática que conquistou rapidamente a torcida alviverde assumirá o cargo.

Tudo tem seu tempo, tudo tem sua hora. Boa sorte, Muricy, e boa sorte, Jorginho!

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