Evair, a eterna esperança e a teoria do dogma

PALMEIRAS X CORINTHINAS

Vou ser sincero: só vi o gol do time do lado negro da força, o Darth Vader Gambá, na manhã desta segunda-feira (17), e ainda assim por insistência do Goleiro Verde, que notou a “vontade” dos jogadores do Chelsea na tentativa de evitar o tento.

Preferi na hora do tal “jogo” dormir e depois, na hora do almoço do domingo (16), ver um show do Guilherme Arantes na praça Dom José Gaspar, em São Paulo. Muito bom, por sinal. Mas esse não é o tema desse post. Esse lado musical guardarei para o Mondo Pop, o braço musical de Mondo Verde.

Este é o momento mais difícil para quem plantou Palmeiras no coração. A mídia nos ignora, e quanto entramos em pauta, é só para gozações e boatos. O desastroso presidente Pituquinha continua fazendo uma burrada atrás da outra. O torcedor se mostra cabisbaixo, desesperançoso, pê da vida.

O que fazer nesse momento? Só nos resta relembrar de outras eras complicadas em nossa história, e de como acabamos saindo delas rumo à glória que, graças a Deus, insiste em nos seguir. Sim, pois Palmeiras é sinônimo de títulos, vitórias, consagração, craques e coisas desse naipe.

Vou me concentrar em uma experiência marcante, a da primeira passagem de Evair Aparecido Paulino pelo Verdão. Ele chegou em 1991, envolvido em negociação com o centroavante Careca Bianchesi (quem?) e não muito exaltado por torcedores, jornalistas e comentaristas em sua chegada ao Palmeiras.

Em 1992, pagou o mico de permanecer por cerca de seis meses afastado do clube graças ao “brilhante” Nelsinho Batista. Treinando em separado do elenco, longe da mídia, um verdadeiro exilado em campo verde. Mas a queda de Batista e a chegada de Octacilio Gonçalves, o Chapinha, mudaria essa história.

Chapinha reintegrou Evair ao elenco, e nas semanas sequintes, Evair aos poucos foi nos conquistando. Em 1993, nem mesmo a constelação de craques contratados pela Parmalat (Antonio Carlos, Edmundo, Roberto Carlos, Edilson etc) conseguiu tirar dele a marca de ter sido nosso libertador, quem melhor representou a saída de uma fila de 16 anos e o retorno aos bons tempos.

E quem viveu essa fase da fila sabe o quanto essa verdadeira ressurreição do clube pareceu impossível, durante alguns momentos. Após a perda do Paulistão 1986 para a patética Inter de Limeira, por exemplo. Ou a eliminação precoce no Paulistão 1989, após campanha brilhante, perante o Bragantino. Mas a tempestade enfim acabou, e a bonança surgiu alvissareira no horizonte.

Já sinto um monte de leitores me mandando à eme e me achando um iludido babaca. Mas convido quem continua lendo esse texto a acreditar, junto comigo, na minha teoria do dogma. É simples assim: como você sabe se a Virgem Maria era Virgem? Existem DVDs com imagens definitivas, ou livros detalhando essa certeza?

Obviamente não. É um dogma da igreja católica, e você simplesmente acredita nele, sem discutir. É a crença plena, incondicional, que pode soar irreal aos outros, mas que bate no seu coração e o leva a seguir em frente, acreditando sempre.

É me lembrando da trajetória de craques como Evair Aparecido Paulino que me recuso a acreditar em um Palmeiras eternamente mergulhado no fracasso, nos vexames, sendo para sempre comandado pelos Pituquinhas da vida. Sairemos dessa.

Que os próximos presidentes da Sociedade Esportiva Palmeiras possam nos levar para o rumo certo. Que o nosso próximo comandante possa iniciar esse processo, e que em breve possamos novamente nos orgulhar do clube para o qual torcemos. Embora, na verdade, nem mesmo derrotas ou humilhações recentes possam nos tirar esse orgulho.

Pois ninguém nunca apagará nosso passado de glórias, e é ele um dos combustíveis para que todos nós acreditemos em um futuro que possa repetir essa história. Vai dar certo. Sabem porquê? Dogma, simples assim! E vida que segue. “Não tema, sinhá donzela, nossa sorte nessa guerra, eles são muitos, mas não podem voar”.