Estamos vivos! Acreditemos…

Por alguns minutos da batalha em Rosario, o Palmeiras esteve desfalecido, morto, assassinado cruelmente por um pênalti comum – mas apitado em momentos “oportunos” –. Ali, naquele instante, o coração alviverde parou de bater, a respiração cessou, não havia mais chances de sobrevivência, os médicos, cabisbaixos, desligavam os agora inúteis aparelhos. O óbito estava confirmado. Nem o menino Jesus pareceu capaz de resistir.

A causa mortis? Falência múltipla do sistema defensivo. Restava-nos, apenas e então, chorar a morte de um gigante, que caiu atirando, lutando, guerreando, ostentando a fibra. Gigante esse que buscou manter-se de pé mesmo baleado, mesmo aniquilado, buscou ser imponente como de costume. Todavia, os golpes foram deveras certeiros. Velas acesas, lágrimas, olhares vagos e uma certeza de que quase tudo que poderia ser feito foi.

Eu disse quase.

Eis que, subitamente, uma dose cavalar de Lucasbarriozol foi – quase que por engano e sem muitas pretensões, diga-se de passagem, – aplicada naquele torso cadavérico. O silêncio, por ora sepulcral, fora interrompido abruptamente por um espasmo, um grito. Dedos moveram-se. Uma mão ergueu-se timidamente. A incredulidade de todos só não foi maior que a luta, que a resistência, que o espírito, que a vontade de, para sempre, estar entre nós. A vontade de ser inteiro.

Um coração voltou a bater. Fraquinho, lânguido, abatido, mas voltou. Os médicos, pasmos com aquele renascimento esmeraldino, religaram a parafernália clínica toda, enfermeiros faziam incessantes massagens cardíacas e, como que por uma dessas lendas miraculosas contadas pelo interior do Brasil, o Palmeiras voltou à vida. Tornou a respirar, minimamente, com dificuldades, mas tornou.

Um leve sopro de vida adentrou o quarto, fazendo balançar aprazivelmente a cortina verde e branca, e um modesto fio de esperança surgiu, daqueles que não nos permite acreditar em muita coisa, porém não nos deixa duvidar de nada. Estamos vivos.

Eu disse estamos.

Pouco, quase nada, mas ainda há pulso, ainda há batimentos, ainda há sangue circulando pelas veias e artérias, ainda há coração. Ainda há vida. Pouca, mas há.

Estamos vivos.

Ainda há no que acreditar. Há esperança, tingida de verde – como haveria de ser outro tom se não esse? Há Palmeiras.

Estamos vivos.