Essa vida da gente palmeirense

Bom dia, boa tarde, boa noite, torcedor palmeirense em todo planeta.

Me chamo Giorgio Migliani, tenho 28 anos, sou de Laranjal Paulista, interiorzão de SP e vos escrevo este texto simplesmente para expor alguns pontos que podem passar batido depois de uma boa vitória como esta contra o Fluminense.

São alguns pontos que podem afetar o desempenho do time em campo e que, ao que parece, Cuca e sua comissão estão conseguindo contornar.

Por falar em campo, vamos a ele: Apesar da melhora tática, tecnicamente o time continua abaixo. Erros de passes, erros de lançamentos, erros de cruzamentos, uma coletânea sem fim de enganos que somos obrigados a assistir, apesar do último jogo ter sido melhor nesse aspecto, vale observar como o time irá evoluir daqui em diante. Nota-se o trabalho de Cuca neste sentido.

O time claramente estava nervoso, sem confiança. Cuca atentou em sua chegada e em outras oportunidades que criamos sobre nós mesmos uma pressão desnecessária, afinal somos o atual campeão brasileiro, vindo de outro título nacional, a Copa do Brasil de 2015. Jogadores experientes como Zé Roberto, Jean e Dudu claramente estão ainda jogando abaixo do que podem, e puxam pra baixo o futebol dos mais jovens como Guedes, (que fez  jogadas de DVD contra o Fluminense), Borja e Tchê Tchê (o insubstituível) só para citar alguns.  Ao que parece Cuca está conseguindo minimizar tais fatores. Mas seria somente isso?

Não caro leitor, o problema é muito mais profundo do que somente nervosismo, pressão e atuações abaixo da crítica. Começa já no ano passado com a demora de Cuca ao se decidir se fica ou se vai, atrasando o planejamento da diretoria – chegaremos nela em instantes -, os nomes mais cotados, Mano Menezes e Róger, já estavam certos com os grandes de Minas Gerais quando a decisão foi tomada.

Veio então Eduardo Baptista, cercado de dúvidas e desconfianças, inclusive deste que vos escreve, apesar de acreditar, no começo, que seria uma boa aposta. Junto com EB veio uma mudança de filosofia de jogo, marcação por zona, posse de bola, controle do jogo, e pra isso foram contratados jogadores com este perfil, que se encaixavam nesta forma de pensar o jogo. Pois então que Baptista não conseguiu dar ao time uma consistência, a famosa liga, não conseguiu fazer o time jogar o que poderia dentro do que se esperava pelos nomes que carregam na camisa. Fora a entrevista no Uruguai, Eduardo se queimou sozinho, tanto por decisões equivocadas dentro de campo, tanto por declarações inoportunas fora dele. “Não sei motivar jogador”, dizia. Para mim, que gosto de estatísticas e táticas, mas entendo que o futebol vai muito além de uma prancheta, foi o golpe final.

A única opção era a volta dos que (quase) não foram. Cuca estava de volta nos braços da torcida. Calças vinho eram vendidas aos montes, o palmeirense, tão supersticioso quanto seu treineiro, estava nas nuvens. Agora vai! Mas como vai?

Cuca possui uma forma de pensar futebol totalmente contrária de seu antecessor, disse, inclusive, que não teria trazido vários dos jogadores que comanda hoje. Nada pessoal, somente o seu estilo de jogar. Cuca gosta de encaixes individuais, de pegada e de velocidade. Como bem diz o mestre Raul Bianchi, centroavante com ele morre de fome, pois seu esquema não os privilegia. Foi assim com Barrios, com Alecssandro e está sendo com Borja. Jesus aflorou com ele, pois jogava como jogava Tardelli. Por esta razão o Bigode o agrada mais que o colombiano.

Eis que estamos em Junho, e ainda atrás de reforços. Os nomes de Bruno Henrique e Richarlison estão na mídia, bem como a tentativa por Diego Tardelli. Talvez um lateral esquerdo iria bem a calhar.

O grande problema nesta situação foi a montagem do elenco, todo ele pensado para uma proposta. Proposta esta que, pelas mais variadas razões, foi subitamente alterada pela diretoria.

Chegamos a ela, enfim.

Mauricio Galiotte foi candidato único à presidência.

Sou um crítico ferrenho do antigo presidente. Contesto inúmeras de suas atitudes, principalmente em relação ao torcedor. Não esqueçamos que foi Nobre, juntamente com o promotor de justiça (?) o pai da torcida única em clássicos, do certo ao Allianz Parque e de tantas outras atrocidades com o torcedor. Pra mim, a visão que Nobre tinha de sua torcida, era somente de um cifrão com pernas vestido de verde.

Porém tenho que aplaudir o que fez ao clube administrativamente. Estruturando departamentos, modernizando instalações e processos e dando plenas condições de trabalho aos profissionais que lá estão.

Mas, em minha visão, a grande virtude de Nobre foi a blindagem da Academia de Futebol.

Não se vazava informações como se vaza agora. Não se sabia a escalação um dia antes. Não se sabia de contrações por jornais. Não respingava no elenco, aquilo de negativo que se tinha ao entorno das alamedas. Nobre era teimoso e somente ouvia os seus, que até hoje o adoram, porém conselheiros não estavam na mídia o tempo inteiro, ex-presidentes não tinham voz em blogs de fofocas e a patrocinadora somente patrocinava o time e obtia o seu (imenso) retorno financeiro.

Mauricio tem o perfil oposto à Nobre, ouve e conversa com todos. E este é o seu pecado. Tudo se sabe na academia de futebol, tudo se revela, tudo se critica, tudo vira notícia. E isso sim, se reflete no time dentro de campo. Acredito que os profissionais sérios que trabalham na academia devem estar tentando achar a fonte dos vazamentos, e isso precisa ser feito o mais rápido possível.

O atual mandatário tem atitudes de quais gosto muito: reabriu o Palmeiras à sua torcida, trata bem os que vão a jogos fora trazendo ingressos para serem vendidos em São Paulo, criou o setor família, trouxe crianças de escolas públicas para o estádio, somente para citar algumas delas.

Mas também é o responsável pela troca do departamento de comunicação; a antiga, que apesar de estar a cargo de um torcedor do time que não se deve pronunciar o nome, era competente (não que a atual não seja) e ajudava a blindar a academia. Tinha muito do perfil do antigo mandatário.

É responsável pela troca do DM. Não sou médico e não tenho condições de avaliar os trabalhos do departamento, mas é nítido que o time do ano passado era melhor preparado fisicamente ao atual, que esquece as pernas no vestiário.

É responsável por não combater o cerco ao Allianz, é responsável pela, em minha opinião, falta de uma presença maior, acima dos demais, dentro academia de futebol. Cuca,  juntamente com Mattos e Cícero, devem ter percebido, e, ao que parece, as coisas estão se arrumando novamente.

Pergunto ao estimado mandatário, pois: Se era notório que seria o sucessor de Paulo Nobre, qual foi o motivo da demora da renovação com Mattos e Cícero Souza? Tal demora não atrasou o planejamento de 2017? Tais profissionais tem liberdades para agirem como agiam com o antigo presidente? Qual o motivo de tamanha mudança de um modelo que, mesmo com inúmeras falhas, se mostrava eficiente do ponto de vista de proteção ao time?

Maurício tem somente seis meses de mandato, há tempo de se corrigir. Espero e acredito que os profissionais dentro do Palmeiras estão cientes do que deve ser feito, mas é sempre bom saber que o presidente está junto a eles.

Todo esse cenário é coroado com o comportamento de grande parte de torcida palmeirense. Que, alimentada pela mídia, e pelo próprio clube, se tornou uma criança rica e mimada, que cansa de seu brinquedo e logo recebe outro de seu pai (ou seria da mãe?).

Criou-se um discurso de melhor elenco do Brasil, de time a ser batido, de time que ganharia tudo, quando e como quisesse.

Tal soberba, pelos motivos citados acima, respingou em grande parte do elenco, que parou de jogar o que se sabe e passou a tocar a bola de lado como se fosse um melão estragado. E hoje, quando jogadores acima da média não jogam tudo que podem o tempo inteiro, se tornam comuns. Cuca parece saber disso e neste último jogo a atitude de alguns já era outra.

Tal ilusão de melhor elenco, tal impressão de que contratamos o jogador que queremos a hora que queremos, transformou a atitude do palmeirense, de desconfiado, cabreiro, às vezes até pessimista, para um ser prepotente e intragável, de garoto mimado quando não ganha seu brinquedo novo. Uma coisa porém não mudou e acredito que nunca mudará: Somos a torcida mais exigente do país. Exigimos futebol e vitórias todo o jogo. Difíceis são as derrotas as quais saímos conformados. Quase sempre jogos em que o time deixou tudo dentro de campo, mas mesmo assim foi batido.

Não é um jogo bom contra um time com vários problemas que irá apagar os nossos. Ainda temos muitos, mas pelo que parece, estão diminuindo.

Para finalizar, e não parecer mais corneta do que já estou parecendo, pra mim, patrocinadora tem que patrocinar o time e receber seu retorno, não ser tratada como rainha, e dar entrevista para todos os canais esportivos.

Presidente e diretoria tem que impedir a todo o custo o social de chegar ao futebol. Cobrar resultado do técnico e dos jogadores. Com firmeza, com pulso. Dar respaldo para o trabalho.

Não se pode agradar a Deus e ao mundo, pois que se tome posição sobre o que se vê acontecendo hoje.

O treinador tem que treinar e escalar o time. Tenho confiança que melhoraremos, que jogaremos um futebol que nos leve a bons resultados, mas é preciso dar tempo de ajuste a Cuca.

Jogador tem que jogar bola. Como já mostraram saber jogar e acredito que o técnico conseguirá extrair bons rendimentos de seus atletas.

Torcedor tem que ir ao estádio e apoiar os 90 minutos. Como fizemos domingo. Eu estava lá e percebi um que parte da confiança no time foi resgatada. Cantamos os 90 minutos, seguramos os amendoins e o time saiu com o resultado.

Que seja o primeiro de uma sequência. Que não deixemos de apoiar, de cantar e de vibrar! Vamos Palmeiras!

Abraço a todos!