Era uma vez, uma fábrica verde de crises…

Por Fellipe Málaga

Como se já não bastassem os vexames horrendos nos gramados, empatando com time de cegos e perdendo até para o vento, o Palmeiras, o que já não é segredo ou novidade pra ninguém, vive um clima de tensão e terror na Academia, que está recheada de conflitos internos, bate-bocas, desavenças, insubordinações e até agressão física. O mais lamentável fim de feira, como diria o poeta.

A derrota para o eterno freguês Santos FC, em nossa residência praiana, da forma como aconteceu, fez com que o treinador Luiz Felipe Scolari definitivamente escancarasse a porta, chutasse o balde. Mesmo restando ainda dez longas rodadas até conhecermos o campeão da bagaça, o gaúcho turrão não só jogou a toalha como a guardou no armário verde para, quem sabe, usá-la no ano que estar por vir.

Felipão causou um verdadeiro furor com sua “desistência” no meio da batalha. Sua atitude pegou muito mal entre os atletas, conselheiros, torcedores e, claro, fez brotar sinuosos sorrisos no meio jornalístico.

Confesso que há tempos desisti de sonhar com uma vaga na Libertadores, Felipão sabe o quão seria apocalíptico tal feito, porém nem todas as verdades precisam ser ditas ou expostas dessa forma. Você, caro leitor, se vestisse o manto alviverde hoje como atleta, estaria estimulado ou encarnaria o espírito vencedor após ouvir do seu treinador que o time não vai brigar por nada?

Como desgraça pouca é bobagem, o volante João Vítor foi covardemente agredido por 15 indivíduos quando, segundo algumas informações, comprava artigos na loja oficial do clube para presentear amigos. O atleta, que estava acompanhado de um cunhado, foi alvo da selvageria de vários “torcedores” e teve seu rosto bastante machucado.

Ao ler este parágrafo, aposto que muitos lembraram de Vagner Love, Wanderley Luxemburgo e Diego Souza. Coincidência? Aproveitando a onda dos filmes de Mauro Beting, a sensação é a de que estamos assistindo a filmes repetidos, tipo Sessão da Tarde, concordam?

Bem, obviamente que a agressão ao jogador caiu como uma bomba de mil megatons no elenco. Alguns atletas se reuniram com Roberto Frizzo e cobraram atitudes da diretoria e, como a mente dos homens que regem o Palmeiras é tacanha e retrógrada, nada foi feito além de ordenar que o elenco embarcasse para o Rio.Kleber, sempre ele, revoltou-se com a atitude (ou a falta dela), discutiu asperamente com Frizzo e foi para sua mansão ao invés de embarcar com os demais.

Alguns outros tomaram a mesma atitude do “Gladiador” e se negaram a viajar, casos de Fernandão e Ricardo Bueno. Marcos Assunção e Henrique foram contra a insubordinação dos companheiros.

Enquanto isso, Felipão, que nada podia fazer até então, esperou sentado um posicionamento dos mandatários. Pra variar, nada foi feito, o que deixou o “bigode” enfurecido, ameaçando entregar o cargo assim que encontrasse o omisso Arnaldo Tirone que, no mínimo, via vídeos do Chelsea no Youtube, coberto por uma bandeira dos “blues” ingleses, vibrando com as jogandas de Lampard, Drogba, Anelka e etc.

Ufa! Como podem ver, a “Fábrica de Crises” está a todo vapor, trabalhando como a muito não se via, abastecendo a quem mais (ou só) ganha com tudo isso: a imprensa esportiva. Isso sem falar no não comparecimento de um mísero membro do Palmeiras ao evento que anunciou a parceria da WTorre com a AEG. Ah, já ia esquecendo, Mustafá e sua trupe estão armando nos bastidores algumas mudanças estatutárias para tirar do presidente o poder máximo. Após citar esse nome nefasto, nem preciso dizer a quem isso beneficiará…

Enfim, o que nos resta? Sentar no trono de um apartamento, com a boca escancarada e cheia de dentes, esperando a morte chegar, como diria Raulzito? Ou seguiremos o conselho de Geraldo Vandré que um dia falou que “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”?

Pra finalizar o meu já extenso texto, lembro a todos que foi justamente antes de um confronto contra o Flajuto no Rio de Janeiro que o “Pofexô”, na época treinador alviverde e hoje do lado de lá, foi agredido em por membros de uma organizada no aeroporto. Resultado: voltamos com cinco cocos na cabeça…

“Senhor, tens misericórdia do meu time, pois os adversários não terão…”.