E o nosso pote de ouro?

Por Fellipe Málaga

A situação financeira da imensa maioria dos clubes do futebol brasileiro, além de desesperadora e vexatória, tornou-se quase um tema pra simpósio, pois já não é segredo pra ninguém que todos estão praticamente quebrados, à beira do abismo, com dívidas tão medonhas que até Geraldo Magela e Steve Wonder enxergariam sem grandes dificuldades o rombo nos cofres de tais entidades.

Dívidas trabalhistas, impostos, empréstimos vencidos, cotas adiantadas dos próximo 250 anos… Enfim, a lista de contas não pagas e de prejuízos é tão extensa e bizarra quanto os anos de espera do “Novo Juventus da Marginal sem Número” por uma conquista de Libertadores. Porém, o famoso jargão popular “devo não nego, pago quando puder” (ou “devo não pago, nego enquanto puder”) nunca esteve tão em evidência como nos dias de hoje… Exceto para uma agremiação: Sociedade Esportiva Palmeiras.

A intenção do presidente Arnaldo Tirone de tentar quitar as dívidas do Maior Clube de Futebol da América Latina e fechar os meses no “azul” é sem dúvida louvável, se não esquecesse completamente de como funciona o futebol e seus mecanismos, são méritos que passam despercebidos, presidente! Futebol se escreve com grandes esquadrões, conquistas de títulos, épocas memoráveis, surgimento de ídolos e não com promissórias pagas em dia, nunca foi assim…

Nunca na história desse país (alguém já falou isso…) presenciou-se o fechamento de um grande clube por conta de dívidas, isto jamais acontecerá até por conta de se tratar de Brasil, não é? Não ficamos felizes e radiantes com a inadimplência do Palmeiras, mas preferimos títulos a ter o nome limpo na “praça”, preferimos comemorar a conquista de campeonatos a sair pelas ruas empunhando orgulhosos a bandeira alviverde devido a mais um mês que fechamos no “azul”… Futebol se faz com títulos, presidente, e não com promissórias!

A lenga-lenga de Arnaldo Tirone, Roberto Frizzo e demais mandatários do clube é tão chata e repetitiva quanto cantigas de grilo, sempre frizando (Frizzo, frizando… soa estranho…) ou ressaltando que não temos dinheiro, que os cofres estão vazios, que não haverá investimento, assim sepultando sonhos palestrinos de disputar títulos… Mas e as outras agremiações, pergunto eu? Ninguém tem dívidas gigantescas? Ninguém está com os cofres limpos e vazios? Sim ou não, o certo é que todos estão contratando e lutando por dias melhores, por conquistas, algo que nos faz falta há tempos…

Será que “os outros” ficaram milionários do dia para noite? Será que só o Palmeiras, ou a Geni do Futebol como queiram, continua sendo a gata borralheira dessa triste história? Se todos descobriram onde estão os potes de ouro, que busquem um mapa e encontrem o nosso também, para que Henrique, Martinuccio e, consequentemente, as conquistas não se tornem sonhos impossíveis como de costume…

E você, paciente torcedor, o que acha disso tudo? Fará carreata e soltará rojões se terminarmos o ano na décima colocação, mas com várias dívidas pagas?

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O programa (podcast) desta semana, por motivos alheios à nossa vontade, não pôde ser gravado.

Na semana que vem, estaremos novamente no ar!