Domingo, 09 de janeiro de 2011

Hoje tive uma das maiores alegrias de minha vida.

De casa até a Arena Palestra não foram mais do que 15 minutos. Queria ser o primeiro a chegar, o primeiro a se sentar, o primeiro a gritar gol, enfim, queria estar lá, ser o primeiro em tudo, ver com os próprios olhos tudo aquilo que os jornais e revistas publicavam sem parar. Queria ver logo minha nova casa, a casa de todos os palmeirenses.

Logo que virei na Av. Francisco Matarazzo já vi as grandes placas e entradas que sinalizavam o estacionamento. Entrei rapidamente e optei pelo Vallet, apenas para me dar um luxo neste primeiro dia.

As bilheterias da Arena estavam fechadas, também, todos os 47 mil ingressos para a partida amistosa contra a Seleção Italiana já tinham sido vendidos antecipadamente e, acredite, com uma organização e respeito ao torcedor que até um japonês, não dos nossos acostumados com a bagunça daqui, mas os de lá do oriente mesmo, sentiria inveja.

Por fora eu já conhecia o estádio, aliás, o Brasil inteiro conhecia porque só se falava dele, só mostravam imagens dele. A única Arena do Brasil pronta, a sede paulistana para a Copa do Mundo, enfim, notícias e imagens não faltavam.

Mas estar ali, frente a frente na calçada sobre aquele imponente monumento para a cidade era algo indescritível. Lembrei-me do meu avô, que jurava ter assistido lá mesmo, no antigo Palestra, o primeiro jogo com as arquibancadas cobertas prontas, no longínquo 1933.

Da calçada para uma magnífica praça de acesso, de lá para dentro da Arena, daí para as lágrimas.

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Escolhi uma mesa no restaurante panorâmico bem ao lado do vidro que dá visão ao campo. Não tinha mais fome. Queria que o tempo passasse rápido apenas para me sentar na arquibancada e voltar a ver meu Palestra jogar em casa, na casa nova. De qualquer modo, a massa estava excelente. Nunca imaginaria almoçar em uma filial de restaurante do Bixiga dentro de um estádio de futebol.

Pude, graças à magnífica visão do campo de onde estava, ver os primeiros torcedores que entraram quando permitido. Corriam feito crianças e muitos de fato eram. Mas havia ali idosos, mulheres, torcedores uniformizados. Todos com o mesmo orgulho.

Resolvi me dirigir ao meu lugar, marcado, coberto, como se estivesse em alguma Arena européia. Por alguns instantes fiquei imaginando a cara de todos aqueles que lutaram contra a realização, fossem os de dentro do clube ou aqueles que usam as palavras como armas descontroladas.

Me sentei, estava sozinho. Faltavam ainda três horas para que meu glorioso Palmeiras e a eterna Azzura entrassem em campo. Não importava, minha distração era olhar a alegria de cada um que entrava em sua nova casa.

Me lembrei de novo do meu avô e imaginei qual seria sua reação se estivesse lá dentro. Talvez ficasse incrédulo, talvez achasse que era apenas um sonho.

Pensando bem, nada disso. Ele mais do que eu sabia do que o Palmeiras era capaz. Nunca houve limites para a grandiosidade do palestrino. Ele estaria ali ao meu lado, sentado e diria apenas:

“Isso é Palmeiras meu neto, isso é Palmeiras.”

Imagem: Terceira Via Verdão