Do que o jornalista “almofadinha” não fala…

A violência entre parcelas minoritárias de torcedores é lamentável, grotesca, absurda. Uma cadeia de causas e conseqüências difíceis de determinar, mas que passa necessariamente pela irresponsabilidade e incompetência com as quais “jornalistas” almofadinhas tratam do assunto. Sugerem que o freqüentador de arquibancada é delinquente, ignorando que a maioria ali presente – de organizada ou não – é da paz.

O almofadinha não sabe disso porque não passa pelo teste da realidade. A cambada briguenta e assassina — que merece punição severa e exemplar — esconde-se na maioria, usando-a como escudo e massa de manobra. Só que abordar a questão nessa perspectiva complica o simplismo do almofadinha.

Separar o jôio do trigo dificulta manchetes e chamadas bombásticas clamando pelo chavão moralista e preconceituoso. Tanto é assim que o almofadinha – figura predominante na mídia esportiva – ignora por completo problemas mais elementares.

Exemplo? Em quais condições a maioria dos torcedores do Palmeiras – que não têm carro, nem pertencem às organizadas e, portanto, não vão em seus ônibus escoltados – irá ao Morumbi?

O estádio do Jardim Leonor – que o almofadinha diz ser seguro – apresenta riscos enormes ao torcedor visitante. O palmeirense à paisana, desmotorizado e sem escolta, corre sério risco de, vindo pela Francisco Morato pegando a pé a João Saad, ser abordado por encrenqueiros profissionais: “E aí, mano? Cadê o ingresso?” Ligar para a SPTrans não é bom negócio, pois seu atendente não sabe explicar como, vindo do terminal Sto. Amaro, pega-se ônibus que desça a Giovanni Gronchi – onde se concentrará a torcida alvi-verde. A propósito, matérias de jornal informam que os itinerários são alterados em dias de clássicos, evitando o estádio.

Enfim, estamos na ‘roça’. Acesso fácil por ônibus, só à torcida da casa, vinda do Anhangabaú. A polícia, diante de uma simples pergunta – “como eu faço pra voltar de ônibus?” – ironiza: “Cê não veio? Então se vira pra voltar!”. Foi isso que ouvi de um policial num Corinthians e Palmeiras. Enfim, fatos como esses são completamente ignorados pelo almofadinha.

Uma realidade que não encontra nem encontrará espaço nos veículos de comunicação, a não ser com a pressão de quem sofre as suas conseqüências. É correndo esses riscos que eu e a maioria dos palmeirenses vamos ao primeiro jogo da semifinal no campo do SPFW.
 
Agradeço de antemão aos amigos que acham que correrei risco de vida por bobagem. Entendo e respeito essa posição por amizade. Mas fiquem tranqüilos: após vários sustos, sei dos atalhos menos arriscados que me levarão ao Jardim Leonor. E tem outra, o coração me diz que ficar em casa talvez seja pior…..
 
Saudações de um Palestrino da Silva,

Everaldo

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