Direitos de TV – Parte I: “Clube dos 13: uma história de monopólio e traições”


Bom dia, boa tarde e boa noite amigos do Mondo.

Nestes posts, abordaremos diferentes temas relacionados ao Palmeiras: direitos de transmissão, marketing, balanço patrimonial e outros.

Como até hoje, não houve a renovação do contrato para as transmissões dos jogos do Palmeiras na TV aberta e no PPV – Pay-per-view com a Rede Globo, começaremos pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro.

É até difícil acreditar, mas até 1977, os times brasileiros nada recebiam pelos direitos de transmissão, as TV educativas gravavam os jogos e as repassavam para outras emissoras. Isto mudou em novembro deste ano. Por iniciativa do então presidente Márcio Braga, o Flamengo exigiu e as emissoras pagaram 1,2 milhão de cruzeiros (aproximadamente 96,5 mil dólares) para a transmissão do Fla–Flu.

Dez anos depois, com apoio comercial da Rede Globo, Coca Cola, Varig, Editora Abril e Dover, para defender os interesses políticos e comerciais dos 13 maiores times do Brasil (entre eles o Palmeiras), foi criado o Clube dos 13, que vendeu por 3,4 milhões de dólares anuais, as transmissões para a Globo. Estava formado o monopólio televisivo.

Em 2010, o CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica acabou com o direito de preferência da Rede Globo na negociação pelos direitos de transmissão de TV do Campeonato Brasileiro.

No ano seguinte, aproveitando a conturbada a negociação dos direitos dos campeonatos de 2012, 2013 e 2014, Corinthians e Flamengo traíram o grupo e negociaram individualmente seus contratos com a Globo, obtendo valores muito acima dos demais clubes. Morria o Clube dos 13 e nascia a até hoje injustificável diferença de valores pagos entre os dois filhos da Globo e os demais times.

Valores pagos pela Globo para os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro na TV aberta.

2009-2011
G1 – R$ 36 milhões/ano (Flamengo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Vasco)
G2 – R$ 20,6 milhões (Santos)
G3 – R$ 20 milhões (Cruzeiro, Atlético-MG, Grêmio, Inter, Flu e Botafogo)
G4 – R$ 13 milhões/ano (Sport, Bahia, Vitória, Atlético-PR, Coritiba e Goiás, Guarani e Portuguesa)
G5 – R$ 5,5 milhões (demais clubes)
Série B – R$ 1,8 milhão (demais clubes)
Séries C e D – sem cota (demais clubes)
 

 

2012-2015
G1 – R$ 110 milhões/ano (Flamengo e Corinthians)
G1 – R$ 80 milhões/ano (São Paulo)
G3 – R$ 70 milhões/ano (Palmeiras e Vasco)
G4 – R$ 60 milhões/ano (Santos)
G5 – R$ 45 milhões/ano (Cruzeiro, Atlético-MG, Grêmio, Inter, Flu e Botafogo) 
G7 – R$ 27 milhões/ano (Sport, Bahia, Vitória, Atlético-PR, Coritiba e Goiás)
G8 – R$ 18 milhões/ano (demais clubes)
Série B – R$ 3 milhões (demais clubes)
Séries C e D – sem cota (demais clubes)

Abraço a todos!