De Ramalho para Zago, a missão continua

A corda sempre arrebenta do lado mais fraco. Essa é uma das frases mais antigas e mais reais. E na crise do Palmeiras, o lado fraco era o de Muricy Ramalho. Foi pro olho da rua. Já virou passado.

A gestão do honesto, competente e sisudo treinador no Palestra Itália durou um total de 34 partidas. Foram 13 vitórias, 11 empates e 10 derrotas, 50 gols pró, 46 contra e fraquíssimos 49% de aproveitamento.

Em termos numéricos, portanto, o desempenho de Muricy no Verdão foi sofrível. De quebra, perdeu um título brasileiro que parecia mais do que ganho e não nos qualificou para a Libertadores de 2010.

Mas porque os números deles foram tão ruins? Para não esticar muito o assunto, algumas razões: elenco irregular que ele não montou, sabotagem de setores da diretoria, jogadores que não ajudaram ou se contundiram na hora errada e, em 2010, lentidão irritante em termos de contratações.

Em sua carreira, Muricy deixou amigos em todos os lugares onde trabalhou. Ganhou 10 títulos e demonstrou competência. Ou seja, ele não fracassou por ser um profissional ruim.

Mal comparando, ele é o Nelsinho Batista da nova era. Técnico também competente e trabalhador que deu certo em tudo quanto é canto, menos no nosso Verdão no período em que nos treinou, entre 1991 e 1992. “Fora Nelsinho, de volta pro timinho”, lembram?

Bem, Muricy Ramalho já é história. Foi uma aposta de Belluzzo que não deu certo. Uma aposta que muita gente bancou, incluindo eu, e que tinha tudo para ser vitoriosa. Mas não foi.

Quem sabe o problema tenha sido contratar Muricy não por seus méritos, e sim, como diria a minha amiga Flávia Camargo, por ele ter sido o técnico do São Paulo no tricampeonato brasileiro.

Chega de falar de passado. E agora, com a surpreendente chegada de Antonio Carlos Zago para nos treinar? Como será?

Zago foi o melhor camisa três do Palmeiras que vi em campo desde o genial Luis Edmundo Pereira. Jogava muito, equilibrando como poucos técnica e raça. Levantou cinco taças importantes por aqui.

Mas a carreira de técnico ele começou há menos de um ano. Curiosamente, fez os mesmos 34 jogos pelo São Caetano, com números parecidos com os de Muricy no Verdão: 14 vitórias, 9 empates e 11 derrotas. Mas treinando um time bem inferior ao do colega. Bem inferior mesmo.

Antonio Carlos é conhecido por saber falar a linguagem dos boleiros e por ser “malaco”, ou seja, tem aquele jogo de cintura necessário para sobreviver nesse mundo selvagem do futebol.

Se vai dar certo ou não, fica difícil prever.

Agora, uma coisa é mais do que certa: se a fogueira das vaidades na direção alviverde continuar, com uma guerra de egos para tudo quanto é canto, não demora e estarei aqui de novo, escrevendo sobre a “Era Antonio Carlos”, com mais derrotas e mais vexames a serem relembrados. Toc, toc, toc! Ninguém merece.

Vou torcer como nunca para que essas mudanças, que incluíram o descarte de Toninho Cecílio e o retorno do Seo Seraphim, nos coloquem de novo nos trilhos. Ainda dá tempo. Raça e organização, Verdão, pois você é campeão!

Curiosidades

Muricy Ramalho estreou no Palmeiras com uma vitória por 1 a 0 contra o Fluminense que nos colocou pela primeira vez na liderança do Brasileirão de 2009. Posição que ele manteve durante metade da competição, e que perdeu nas últimas rodadas.

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A última partida de Muricy pelo Verdão foi uma vexatória derrota para o São Caetano, clube que ganhou seu único título importante de primeira divisão, o Paulistão 2004, comandado por ele. Pura ironia.

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Jorginho perdeu a sua única partida como interino do Verdão em 2009 para o Goiás. Exatamente o time onde foi dar continuidade a sua carreira como treinador.

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Antonio Carlos Zago dormiu na madrugada desta quinta (18) como o treinador do São Caetano que goleou o Palmeiras, e foi dormir na noite do mesmo dia assumindo a vaga do técnico que ele ajudou a demitir com a goleada conquistada por eles. Surreal…

OBS.: Excepcionalmente, a vida dos outros não irá ao ar hoje, voltando normalmente na próxima semana

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