Coisas irreais de um mundo real

Por Fellipe Málaga

Após mais uma sequência de jogos ridículos e resultados vexatórios (ou seria jogos vexatórios e resultados ridículos?), andei pensando tanto no nosso Alviverde Imponente, mas tanto, que acabei sonhando com o que seria o futuro do Palmeiras.

Acredito que você, caro leitor, também já tenha feito algo similar (baratinho, sucesso que o meu pov… ah, vocês sabem o fim), percebendo que a lama já chegou até o pescoço, preocupado com o que pode estar por vir, enfim, minha fábrica de sonhos nunca esteve tão ativa.

Voltando ao meu sonho, ou melhor, aos sonhos, aliás, sonho e pesadelo, sim por que tive na realidade dois sonhos. Os sonhos eram muito reais, isso foi o que me deixou ainda mais intrigado, tudo parecia acontecer de verdade, os detalhes, o clima, o ambiente, acho que esses resultados do Palmeiras mexeram até com a minha capacidade imaginativa, ora vejam vocês…

No primeiro sonho, logo após o empate bisonho com o Cruzeiro (futuro grande na Série B em 2012), eu acordava no futuro, aproximadamente 2028, 2030, algo assim, ligava a TV e buscava os noticiários esportivos e nada falavam do Palmeiras, absolutamente nada, só Gambás e Bambis.

Tudo bem que era a “imprensinha”, nenhuma novidade desdenhar o Verdão, então busquei o Mondo na Internet e… não existia mais.

Fiquei louco, busquei no Google algo sobre o Palmeiras e, para minha surpresa e decepção, lá constava que o “Verdinho” jogaria com o XV de Piracicaba pela Série A-2 do Paulistão. Nesse momento caí da cadeira, no sonho, lógico, já que não costumo dormir sentado…

Fiquei estarrecido, perturbado, como qualquer um de vocês, mas não desisti, me aprofundei e fui ao portal oficial do clube. Santo Cristo!

O Palmeiras era presidido por um cara chamado Andrés Palaia Frizzo Contursi. Não riam que é sério, era um ser humano que reunia tudo o que esses senhores têm de “melhor”, ainda falando errado e engolindo “esses”. O fim da picada. Nós disputávamos também a Série B do Brasileiro, brigando para não cair para a C. Só que tudo isso encontrei em uma notinha minúscula no portal, já que a atenção era toda voltada para a equipe de bocha, decacampeã brasileira na modalidade, verdadeiro sucesso no Brasil, que só tinha três equipes.

Despertei destrambelhadamente, derrubando tudo, chutando mesa, cadeira, parede, acho que minha alma só voltou ao corpo uns cinco minutos depois. A sensação de alívio foi gigantesca, claro, se comparado onde estamos hoje, logicamente. Mas daí, os dias se passaram e, após a magra vitória diante do Ceará, com gol contra do luminar Thiago Matias, tive outro sonho, ou agora tive um sonho já que o anterior foi um pesadelo.

Sonhei exatamente na mesma situação do sonho desgraçado, acordando no futuro, só que nos noticiários o Palmeiras, ou melhor, a “Fúria Verde”, como chamavam, era o destaque e acabava de se classificar para mais uma semifinal de Libertadores, para tentar seu sétimo título e, quem sabe, ir ao Nepal buscar o quarto mundial de sua história.

Sim, era no Nepal e sabe-se lá porquê.

O time contava com “Chiqui” Arce como treinador e a maioria dos atletas eram formados na base alviverde comandada por Evair. O presidente, claro, era São Marcos, que dava uma entrevista dizendo que o Palmeiras era disparado o maior clube da América do Sul e ainda fazia graça com o Timeco da Marginal que continuava sua árdua luta por uma Libertadores.

Por mais incrível que possa parecer, o sonho ruim me fez muito bem, me fez enxergar que nós ainda não estamos no fundo do poço, que há muito a se fazer, mas que podemos sim acabar com essas guerras políticas, essas birrinhas internas.

O futuro é agora, Nação, não adianta mais esperar, não há tempo. Salvemos a Sociedade Esportiva Palmeiras. Talvez nunca sejamos essa potência toda como a do meu sonho legal, mas podemos buscar, podemos lutar e jamais desistir do Palmeiras, jamais!

Essa história pode e deve ter um final feliz, como sempre teve…