Cemitério de jogadores, um tema polêmico

chamada_130

Em “Paciência e Talento Individual Tem Limites, Luxa”, Flávio Canuto tocou em um assunto que volta e meia surge por aqui. Trata-se da frase “cemitério de jogadores”, ao qual sempre me refiro quando presencio o excesso de vaias sofridas por alguns jogadores em pleno Palestra Itália, às vezes com poucos minutos de partida. Vou esticar um pouco esse assunto, e dar a minha opinião acerca do tema.

Quando falo acerca de o Palestra virar um verdadeiro cemitério de jogadores, meu foco é sempre em cima da reação exagerada de setores da torcida alviverde relativa a erros dos atletas. Ou mesmo por não simpatizar com alguns deles. Três exemplos serão bem elucidativos. Nos anos 90, os atacantes Maurílio e Oséas eram alvo de vaias e de corais desrespeitosos e até mesmo preconceituosos, como os tristemente famosos “ah que bom seria se o Oséas voltasse pra Bahia” e “Fora Otacílio, e leva junto o Maurílio”. Ambos não eram craques, mas foram de grande utilidade para o Palmeiras. O volante Galeano também cansou de ser xingado de nomes impublicáveis, embora tenha nos prestado bons serviços.

A culpa é toda da torcida, então? Vamos com calma. Torcedor, normalmente, é um ser apaixonado, irracional, que não mede as palavras quando está em meio a uma partida de futebol. Vaia, xinga, ofende, mas freqüentemente não faz isso por mal.

É um fator que os jogadores e as comissões técnicas das equipes precisam ter em mente, sempre. Agora, ninguém vaia quem joga bem. Ou seja, no caso do jogador, é preciso ter personalidade, paciência e espírito de luta para superar esse tipo de reação negativa. Os atletas citados acima por mim tiveram, e conseguiram construir belas histórias por aqui. Jogador de time grande precisa saber encarar esse tipo de situação, e dar a volta por cima, se for capaz. Sem choradeira.

Mas, na minha opinião, o xis da questão reside, mesmo, nas comissões técnicas. É preciso ter bom senso na hora de utilizar um atleta. Não dá para ficar jogando gente aos leões o tempo todo, e lavando as mãos, na hora em que algo dá errado. Os casos de Evandro e Fabinho Capixaba são clássicos. Luxemburgo insistiu demais com eles, que hoje contam com a hostilidade de todos.

O que o “pofexô” deveria ter feito? O óbvio: tirar os dois, colocar para treinar e só aproveitá-los novamente quando sentir que os mesmos estejam realmente preparados. E dar a eles o devido apoio psicológico, pois não é fácil jogar ouvindo vaia o tempo todo. Mas quem disse que seria? Jogador de futebol de time grande ganha muito bem e tem todo o apoio possível em termos estruturais exatamente pelo tamanho do desafio que terá de superar: consagrar-se em um lugar repleto de histórias vitoriosas e de títulos.