Carta aberta a 22 mil heróis

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Manhã de sexta-feira da paixão. Por volta das sete da manhã. Acordo de cabeça inchada. Afinal, estive na noite de quinta no Palestra Itália. Vi o Verdão tirar a vantagem construída pelo Ipatinga (MG) no jogo de ida, de a gente ter a classificação a um passo, e de ela escorrer por entre nossos dedos, mais uma vez. 

Mas eu vi coisas muito mais importantes, e é por isso que resolvi escrever este texto. Vi uma torcida linda, composta por jovens, por idosos, por crianças. Por estudantes, trabalhadores, donas de casa, gente de todas as classes sociais. De pessoas que vieram de longe, de muito longe. Mulheres, homens. Mais de 22 mil pessoas que preferiram deixar a véspera de feriado para lá com o objetivo de incentivar seu time de coração. E que fizeram isso com brilhantismo.

Que, após mais uma eliminação prematura, algo que se repete irritantemente nesta década, reclamou, sim, desabafou, sim, mas com serenidade. Após o final da partida, agüentou firme durante alguns minutos, foi solidária com os colegas de dor, e, depois, seguiu em paz rumo a suas casas. Andei um pedaço grande da avenida Sumaré até conseguir pegar um ônibus para casa, e me senti orgulhoso daquele povo todo, também lambendo as feridas, respirando fundo e se preparando para seguir em frente. É, seguir em frente. Pois domingo tem Palmeiras e Guaratinguetá. A classificação para as semifinais do Paulistão 2007 está difícil, mas não impossível. É hora de acreditar, de novo. Mas, e se não der, mais uma vez?

Não sei no caso de vocês, mas no meu, vou repetir os versos de uma música antiga, de quando eu era quase um bebê, interpretada por um grande cantor e gentleman de nome Noite Ilustrada, cujos versos diziam mais ou menos isso: “Aí onde eu chorei, qualquer um chorava, dar a volta por cima que eu dei, quero ver quem dava”. E o refrão: “levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima”. Porque existem poucas certezas nessa “vida, louca, vida”, como diria outro ser saudoso e de luz, Cazuza.

Uma delas é que morrerei um dia (espero que daqui há muito tempo!), e que morrerei palmeirense. Um abraço apertado em todos vocês. Chorem, desabafem, xinguem, mas levantem a cabeça. Vocês são a torcida mais linda, mais entusiástica, mais repleta de fé que um time poderia desejar. Afirmo sem medo de errar que, em breve, teremos um time à nossa altura, e esse time já está sendo formado. E, quando estivermos juntos comemorando o tão sonhado título, vamos lembrar de como soubemos agüentar a dor dessas desclassificações bestas.

E dedico esse texto a Flávia Camargo, uma guerreira verde que ainda vai vibrar muito com o Palmeiras que tanto ama. Na alegria ou na tristeza. Palmeiristas, amo vocês! E viva o nosso Verdão!