Caio Jr. era chamado de estágiário. E o Antônio Carlos?

Um texto do nosso ouvinte e amigo, Marco. Acho que na hora certa, antes do início de mais um campeonato.

Sempre combati os comentários pejorativos da imprensa em relação ao Palmeiras, mas hoje faço a menção sobre um que ouvi ontem.
Antero Greco falou no jornal da ESPN:

“O Palmeiras passou a ser um time de figurantes nos campeonatos que disputa, nem de coadjuvante, pois coadjuvante ainda tem algum papel.”

Infelizmente ele tem razão.

O que acontece hoje com o Palmeiras é o reflexo de anos de omissão e subserviência das direções do clube.

Não somos mais respeitados por ninguém. A imprensa nos humilha, as Federações fazem o que elas querem, os Tribunais e os procuradores tratam o Palmeiras como se fosse time de esquina e adversários medíocres, sem nenhuma tradição, julgam que perder para o Palmeiras é “brincadeira”.

Perdemos o respeito de todos, a nossa autoestima, o amor próprio e principalmente o senso de realidade. Fechamos-nos dentro dos nossos muros e julgamos que o mundo se resume aos limites do Palestra.

Somos valentes e falamos grosso apenas dentro de casa. Com os rivais, com a imprensa, com as autoridades esportivas, somos dóceis e aceitamos tudo.

Na parte do futebol, cansamos de ouvir de torcedores, treinadores, dirigentes e até dos jogadores que é preciso reforçar a equipe, que com novos atletas a equipe se completa!

Temos a posição cômoda de que podemos comprar a melhoria da qualidade técnica. Basta contratar! Mudar o pensamento e ter atitudes sérias não é preciso! Contratando tudo se resolve e assim vamos mudando de elenco a cada três meses. Em pouco tempo, todo mundo que chega passa a não prestar e vamos nós, contratando novamente!

Já comentei por diversas vezes que não adianta montar um time inteiro, com onze titulares e onze reservas à altura, pois nossa situação não vai mudar. Nosso problema é de estrutura, é cultural. Qualquer jogador que chegar ao time em pouco tempo se contamina pelo negativismo existente.
Nosso elenco atual já é muito diferente daquele que terminou 2009, e mesmo assim fala-se ainda do campeonato brasileiro passado.

Adotamos uma filosofia covarde, assumimos o medo e qualquer time “catado” nos intimida, como aconteceu com esse time de político que tem prazo de validade. A mentalidade da derrota que conseguiram implantar sobre o Palmeiras nos faz impotentes e não mais imponentes.

E nossa mentalidade do medo, da covardia, se explica bem na contratação do melhor segundo volante do Paulistão, Marcos Assunção. Logo na segunda partida o jogador é escalado na função de um meia, para que outro “volante-volante” possa atuar.

Em 2009, quando perdemos somente o Diego Souza, nosso antigo e também covarde treinador colocava um volante ou um zagueiro no seu lugar e mudava o time todo, ao invés de mudar apenas uma peça, mantendo a estrutura da equipe.

Ontem, também não esteve em campo o Diego Souza, jogador que vinha atuando como segundo atacante. Nosso novo covarde preferiu colocar mais um volante e não um dos atacantes que tínhamos no banco.

Precisamos contratar atacantes, é o que sempre ouvimos. Pois, então, o atacante foi contratado a peso de ouro. O Ewerton veio da Espanha e deve ganhar um alto salário para ficar no banco. Por que ele não joga?

Além dele vieram Paulo Henrique e Bruno Paulo. Bruno Paulo após uma boa estréia nem é relacionado para o banco. Então, para que contratar atacantes se o treinador não os escala, preferindo encher o time de zagueiros e volantes? Já perdemos o brasileiro por esse motivo e a lição não foi suficiente?

Criticam o Robert, dizem que não temos centro-avante. Esquecem que o jogador atua sozinho dentro de um esquema de jogo inoperante. Precisa sair da área para buscar jogo e não tem ninguém ao seu lado. Um erro crasso que qualquer treinador de time de várzea saberia identificar.

Nosso treinador, em pouco tempo na função, conseguiu jogar no lixo tudo o que fez pelo Palmeiras como jogador. Conseguiu perder a vaga na Copa do Brasil para um time dirigido por um dos maiores enganadores da profissão e para uma equipe que é um verdadeiro catado.

Escala mal, substitui mal e ainda foge das responsabilidades falando que a montagem do time está atrasada e que é preciso de reforços. Como ficam todos os outros clubes que apresentam desempenho satisfatório e tiveram o mesmo calendário? Ele defende que outros se prepararam para a Libertadores, mas, e o Grêmio, está na Libertadores? A diferença é que no Grêmio o treinador não é incompetente e covarde.

Somos hoje um time com a cara do nosso treinador, ou seja, covarde, omisso, sem atitude. Não se tem ambição, nem respeito e muito menos postura de time grande. Temos uma mentalidade perdedora e caminharemos para a série B, mesmo tendo um elenco no papel em condições de ser campeão.

Um elenco que com qualquer outra camisa e outro treinador seria forte candidato ao título nacional. Porém, dentro dessa cultura de submissão e do negativismo que envolve, ao Palmeiras cairia para a série D, caso jogasse a série C.

Espero ainda que ao atual treinador reste uma atitude digna, que não se apegue à multa contratual e saia pela porta da frente do Palmeiras. Tenha a grandeza de pedir demissão. Mude de profissão ou vá dirigir times de segunda ou terceira divisão, jamais uma equipe com a importância do Palmeiras.

Quanto aos nossos dirigentes, espero também que acordem, desçam do seu pedestal, da sua autosuficiência, tomem atitudes práticas, de comando sobre o futebol do time. Caso não tenham condições técnicas para isso, consultem pessoas do ramo ou tragam alguém para dar a devida assessoria técnica a eles.

Os fatos estão aí e não vamos esperar o campeonato começar para ver o Palmeiras na parte debaixo da tabela? Todo mundo sabe que se o Palmeiras der chances, não vai faltar gente para empurrar o time mais para baixo possível.