Baú do Palestra – Uma grande vitória. Uma grande goleada

pugni_calciApós a excursão do Palestra à Argentina e ao Uruguai, o ano de 1925 reservou um acontecimento ainda mais importante para o clube do Parque Antártica.

Naqueles tempos o Palestra possuía dois grandes rivais nos gramados. O mais tradicional deles, o Corinthians, disputa até hoje com o Palmeiras a soberania nos gramados brasileiros.

Já o outro grande rival não está mais nas disputas futebolísticas. Trata-se do Clube Atlético Paulistano que se retirou dos gramados no ano de 1929 por não concordar com o movimento de profissionalização para qual o futebol estava se encaminhando.

Em fevereiro de 1925 o Paulistano foi convidado para uma série de jogos na Europa. Foram sete partidas na França, duas na Suíça e uma em Portugal.

Comandados, em campo, por Arthur Friedenreich, o Paulistano conquistou resultados expressivos. O time vermelho e branco fechou a excursão com nove vitórias, uma derrota e nenhum empate. Foram 30 gols a favor e apenas sete contra.

Confira os resultados:

15/03/- Paulistano 7 X 1 Seleção da França
22/03/- Paulistano 3 X 1 Stade Français
28/03/- Paulistano 0 X 1 Cette
02/04/- Paulistano 4 X 0 Bastidienne
04/04/- Paulistano 2 X 1 Havre/Normandie XI
10/04/- Paulistano 2 x 1 Strasbourg
11/04/- Paulistano 2 X 0 Auto Tour
13/04/- Paulistano 1 X 0 Seleção da Suíça
19/04/- Paulistano 3 X 2 Rouen
28/04/- Paulistano 6 X 0 Seleção de Portugal

A volta do Paulistano ao Brasil foi apoteótica. O navio que trouxe a delegação parou nos portos de Recife, Salvador e Rio de Janeiro, antes de chegar à Santos.

Aconteceu uma grande festa na Estação da Luz, quando da chegada do trem que trouxera o Paulistano de Santos.

A partir daí, o Paulistano foi coberto por uma áurea de supertime. Todos queriam jogar contra o Paulistano para ter a honra de derrotá-lo.

O Fluminense organizou um amistoso no Rio de Janeiro. E com direito a discurso das autoridades antes da partida, o Paulistano venceu o time do Rio por 1 a 0.

De volta à São Paulo, o Paulistano iniciou sua disputa no Campeonato Paulista.

Todos os adversários agigantavam-se contra o time dos Jardins, porém ninguém conseguia derrubar o clube vermelho e branco.

No jogo mais disputado de todos, até o momento, o Paulistano venceu o Corinthians por 1 a 0.

Entretanto, chegaria o dia da primeira derrota do Paulistano. E a glória de derrubá-lo caberia ao seu grande rival: o Palestra Itália.

A partida foi válida pela oitava rodada do Campeonato Paulista de 1925, e para delírio da torcida esmeraldina, foi disputada no estádio do Paulistano, no bairro do Jardim América (atualmente conhecido apenas como Jardins).

Como em várias outras ocasiões, especialmente a final de 1920, a cidade de São Paulo parou por causa de Palestra e Paulistano.

O estádio do Jardim América foi tomado pela multidão que lotou suas dependências, reza a lenda que muitas pessoas não conseguiram entrar no estádio e houve brigas por causa de ingressos.

Em campo a luta foi titânica. O Palestra foi comandado em campo pelos inesquecíveis Bianco, Serafini (que ganhou um quadro a óleo no salão de troféus do Palmeiras), Amílcar, Loschiavo e Azzi.

Desde o início da partida, o Palestra dominou as ações e não deu chances ao grande rival.

Logo aos 15min, Amílcar abriu o placar para o Palestra com um gol de cabeça.

O segundo gol saiu aos 33min, em uma bomba, de Azzi, da entrada da área. Aos 41, Mário Andrada diminui para o Paulistano.

No segundo tempo o Palestra deitou e rolou. Aos 10min, Imparato II marcou o terceiro do alviverde e Azzi, aos 25min, marcou o quarto gol.

A partir daí o Palestra começou a tocar a bola, e administrou a partida, quando já nos minutos finais o Paulistano fez o seu segundo gol com Clodoaldo.

Após a partida, a torcida do Palestra carregou em triunfo os jogadores e como foi relatado pelos jornais O Estado de São Paulo, Correio Paulistano e Diário Popular, metade da cidade vibrou (os palestrinos) e a outra ficou fúnebre (torcida do Paulistano).

Confira a ficha técnica:

28/06/1925 – Paulistano 2 X 4 Palestra Itália

Paulistano: Kuntz; Clodoaldo e Barthô; Abate, Nondas e Vilella; Mário Andrada, Friedenreich, Formiga, Filó e Netinho.

Palestra Itália: Pagni; Bianco e Covelli; Serafini, Amílcar e Bertolini; Martinelli, Imparato II, Mathias, Loschiavo e Azzi.

Gols: Azzi (2), Amílcar e Imparato II (Palestra)

Mário Andrada e Clodoaldo (Paulistano)

Árbitro: Pedro Thomaz

Local: estádio do Jardim América