Baú do Palestra – Superação

periquitoAmigos do Mondo Verde, a partida de hoje à noite me traz muitas lembranças de quem viveu o final dos anos 90 e início dos 2000.

Lembram-se quando aquele time do tempo do Felipão (1999 e 1998) decidia classificações o tempo todo, pois bem, em 2015 estamos novamente vivendo este clima.

Entre 2001 e 2014 o Palmeiras – campeão do século XX do futebol brasileiro – conquistou apenas dois títulos importantes: o campeonato paulista de 2008 e a Copa do Brasil de 2012. Por que em 13 anos nós vivemos tantas vacas magras? Possuímos as explicações, e são muitas, mas deixarei para outro momento.

Bem, após um promissor, mas que se tornou decepcionante 2014 (ano do centenário), na qual lutamos para, e, conseguimos apenas ficar na primeira divisão do campeonato brasileiro, o ano de 2015 está nos trazendo de volta às grandes disputas e decisões.

O clima de hoje está igual ao dos anos 90 (Era Parmalat), início dos 2000 e 2008 e 2012, ou seja, já acordamos nesta manhã com o jogo na cabeça e parece que as horas não passam.

No início do ano jogamos a semifinal do campeonato paulista contra o Corinthians (clube que já foi sinônimo de bagunça, desorganização e derrotas, mas que forças estranhas o transformaram em um clube com dinheiro que vence campeonatos) dentro de sua arena, na zona leste da capital paulista, e os eliminamos após empate por 2 a 2 e vitória por 6 a 5 na disputa de pênaltis.

Fomos o primeiro clube da história a eliminar o eterno rival dentro do Itaquerão.

Mas o jogo de hoje contra o Fluminense me traz à memória outra partida também contra um adversário carioca; as quartas de final da Copa do Brasil de 1999, contra o Flamengo.

16 anos atrás, este colunista estava no auge dos 21 anos, prestes a cursar a faculdade de jornalismo na Universidade São Judas Tadeu e me dirigi ao velho Parque Antártica acompanhado de meu saudoso pai, além de um amigo, um cunhado e um sobrinho palmeirenses.

Tempos de Alex, Evair, Zinho, Oséas, Paulo Nunes, Junior, César Sampaio e do goleirão Marcos. No banco de reservas, no auge da carreira, tínhamos Luiz Felipe Scolari.

A partida começou e logo no primeiro minuto Rodrigo Mendes abriu o placar para os cariocas, com um chute cruzado já dentro da grande área.

Como o Palmeiras havia perdido a primeira partida, lá no Rio, por 2 a1 (igual à situação de hoje contra o Fluminense), pensamos o quanto seria complicado, já que agora o Verdão precisava de três gols para reverter à vantagem flamenguista.

Na arquibancada, eu previa que seria uma noite turbulenta, até pelo fato de a nossa torcida possuir sólida amizade com os vascaínos – eternos rivais do Flamengo – o que fazia a torcida carioca, presente ao estádio, gritar mais alto.

O primeiro tempo terminou 1 a 0 para o Flamengo, e, como no segundo tempo tínhamos que fazer pelo menos três gols, inconscientemente eu começava a achar que não alcançaríamos o placar necessário e que seriamos eliminados em casa.

Mas eu também pensava: “podemos até cair fora da competição, mas pelo menos que o Palmeiras vença o jogo”.

Começou o segundo tempo e logo aos 11 minutos, Oséas aproveitou uma bola rebatida na grande área e bateu para o gol para empatar o jogo.

Com a igualdade no placar, voltei a ter fé na classificação, porém, dois minutos após o nosso empate, Rodrigo Mendes, novamente, em cobrança de falta fez 2 a 1 para o Flamengo.

Com o resultado adverso e precisando fazer três gols para chegar à classificação, com apenas 30 minutos por disputados, eu, confesso, não tinha mais esperanças em ver o Palmeiras conquistar a classificação. Eu só queria que o time empatasse o jogo e não saísse do gramado derrotado.

Porém, como diz o velho ditado “pau que bate em Chico, também bate em Francisco”, logo na saída de jogo o lateral Júnior – campeão mundial com a seleção brasileira em 2002 – acertou uma paulada de fora da área e empatou novamente a partida.

Com 2 a 2 no marcador, eu pensava: “Será difícil conquistar a vaga, mas pelo menos podemos vencer o jogo e marcar mais uma vitória em cima do Flamengo no histórico entre as duas equipes”.

Mas o futebol (e a vida também, claro) nos ensina que não devemos desistir tão facilmente dos objetivos, e foi o que aconteceu naquela memorável noite de maio de 1999.

Logo após o gol de empate, Felipão mostrou ousadia e colocou o velocista Euller em campo, no lugar do lateral Arce (que já estava cansado devido à maratona de jogos), e foi exatamente o chamado “Filho do Vento” que transformou a história daquele confronto.

O Palmeiras, sabendo dos riscos, se mandou inteiro para o ataque, mantendo apenas Agnaldo, Roque Júnior e César Sampaio no campo de defesa para segurarem os contra golpes do Flamengo. Com esta formação, atacávamos com sete jogadores, já que Júnior e o volante Rogério não guardavam mais suas posições.

Como sempre acontece, a torcida palmeirense, que lotou o estádio, começou a empurrar o time para cima do Flamengo, o que deixou os cariocas acuados em seu campo de defesa.

Apesar do bombardeio contra o gol de Clemer, o Flamengo conseguia segurar o empate e a vaga para a final. O que nos deixava apreensivos na arquibancada.

Quando o jogo chegou à marca dos 41 minutos do segundo tempo, os torcedores do clube vermelho e preto começaram a gritar “eliminado” para os torcedores palmeirenses, que, apesar do placar adverso, não saíram do estádio.

Foi bem neste momento que ocorreu um escanteio para o Palmeiras pelo lado esquerdo do ataque. Júnior bateu alto e aberto, Euller subiu mais que a zaga e cabeceou para o gol. A bola bateu em Athirson e voltou para Euller que, novamente de cabeça, mandou a bola para o fundo do gol flamenguista.

Gol aos 41 minutos. Faltavam os quatro minutos regulamentares, mais os três de acréscimo.

Apesar do susto, os torcedores do Flamengo ainda acreditavam que segurariam o resultado e classificação. Já nós na arquibancada reacendemos a esperança de que o Verdão chegasse ao quarto gol e conquistasse uma classificação heroica.

Novo escanteio aos 43 minutos do segundo tempo. Novamente pela esquerda e novamente Júnior bateu alto e aberto.

A bola caiu no meio da área, e Evair – que havia entrado na segunda etapa – bateu forte em direção ao gol. O goleiro Clemer estava caído no meio da área, a bola bateu nele e subiu, e, como Deus é palmeirense, ela caprichosamente sobrou para Euller que, novamente de cabeça, mandou-a para o fundo das redes.

O estádio explodiu em festa. Nós na arquibancada nos abraçávamos e chorávamos. Para quem estava em casa, vendo a partida pela televisão, ficou eternizada a imagem do garoto Enzo, com 12 anos em 1999, chorando pela vitória palmeirense.

Mas a emoção não parou aí.

Aos 47 minutos, faltando apenas um minuto para o juiz encerrar o jogo, o Flamengo acertou uma bola na trave do Palmeiras, mas, como eu já escrevi anteriormente: Deus é palmeirense e a bola não entrou!

O grito de eliminado mudou de dono. Agora eram os palmeirenses que gritavam para os flamenguistas.

Na saída do estádio, junto de meu pai, sobrinho e cunhado, subimos no carro rumo à zona leste (local que eu morava naquela época) com a certeza que aquele time nos levaria a comemorações ainda maiores. E foi o que aconteceu um mês depois, com a conquista da Taça Libertadores da América.

Que o exemplo de 1999 fique para 2015. Afinal, já vivemos um momento de superação neste ano, contra o Corinthians lá em Itaquera, e que igual a 1999, saiamos felizes do Allianz Parque após a partida de hoje contra o Fluminense.

Abraço a todos!