Baú do Palestra – A grandeza de espírito

periquitoEnquanto aguardamos ansiosamente a final da Copa do Brasil contra o Santos (escreverei um post sobre os cem anos da história do clássico próximo da final), resolvi abordar um pouco sobre o início do Palestra Italia.

Como o título deste texto, “A grandeza de espírito” do nosso clube veio diretamente da grandeza daqueles participaram dos primeiros anos da agremiação e que pensaram um clube forte e vencedor.

Diferente de outros clubes que vieram do futebol de várzea ou que desde a fundação tiveram apoio governamental, o Palestra Italia nasceu grande devido à mentalidade de seus primeiros dirigentes.

Dos quatro principais fundadores (Luigi Cervo, Vincenzo Ragognetti, Luigi Marzo e Ezequiel Simoni), Cervo e Ragonetti, que foram os primeiros a conversar sobre a criação do clube, já planejavam um time que, além de representar a imensa colônia italiana, estava fadado a disputar de igual para igual com os grandes da época, como o Paulistano, AA Palmeiras e Germânia (atual Clube Pinheiros).

Vale lembrar que eles seguiram, principalmente Luigi Cervo, as recomendações de um esportista vitorioso, Vitorio Pozzo, dirigente do Torino e futuro bicampeão mundial pela Italia em 1934 e 1938, que havia se espantado com a quantidade de italianos na cidade de São Paulo, mas também com a ausência de um clube que representasse essa grande colônia no futebol oficial paulistano.

Vejamos a lista completa dos fundadores e suas respectivas funções no clube já na sua fundação:

  • Cervo, Luigi [eleito Secretário-Geral]
  • Marzo, Luigi Emmanuelle [eleito Vice-Presidente]
  • Ragognetti, Vicente [eleito Diretor Esportivo]
  • Simone, Ezequiel [eleito 1º Presidente]

 

  • Aulicino, Antonio [eleito vice-secretário]
  • Cileno, Francesco Vicenzo [inspetor de sala]
  • Giangrande, Oreste [eleito revisor de contas]
  • Giannetti, Guido [eleito revisor de contas]
  • Morelli, Francesco [eleito 2º mestre de sala]
  • Nipote, Francisco De Vivo [eleito tesoureiro]
  • Rebucci, Armando [eleito revisor de contas]
  • Silva, Alvaro F. da [eleito 1º mestre de sala]

 

  • Azevedo, Alfonso de
  • Betti, Delfo
  • Bucciarelli, Amadeo
  • Camargo, Francesco
  • Ciello, Michele A.
  • Del Ciello, Clementino
  • Ferré, Fábio
  • Gallo, Eugenio
  • Gallucci, Antonio
  • Giannetti, Giorgio
  • Giannetti, Giulio
  • Izzo, Adolfo
  • Izzo, Alfredo
  • Izzo, Luigi
  • Lamacchia, Giovanni
  • Lilla, Onofrio
  • Maninni, Battista
  • Médici, Luigi
  • Migliori, Alfredo
  • Mosca, Alfonso
  • Nigro, Giuseppe
  • Pareto, Leonardo
  • Prince, Giuseppe
  • Rizzo, Vicenzo
  • Rosario, Luigi M. F.
  • Romano Filho, Gennaro
  • Romano, Oreste
  • Rossi, Giovanni
  • Russo, Ercole
  • Tavollaro, Michele
  • Vaccari, Augusto

 

Composta em parte por profissionais liberais e alguns comerciantes, a maioria dos fundadores eram funcionários das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, e foi durante um almoço entre a coletividade italiana e os atletas do Torino que surgiu a ideia da fundação.

De 1914 até 1920 o principal foco dos dirigentes era a solidificação do clube como um dos grandes. Para isso, apoiaram suas estratégias no apoio que viria da torcida/comunidade italiana, bem como os grandes representantes dos italianos.

O foco de todos era o engrandecimento da associação.

Mesmo assim tivemos episódios de brigas, pois em um clube com muitos associados, era meio óbvio que tivéssemos desentendimentos.

Isso fica claro no episódio do afastamento do primeiro presidente do Palestra, Ezequiel Simoni, com menos de dois meses a frente do cargo máximo da instituição.

Mesmo com essas situações, nunca houve “torcida contra” de dirigentes que não estavam comandando o clube. Todos queriam mostrar trabalho a favor do clube, mesmo quando não concordavam com quem estava na presidência.

Augusto Vaccari, oficial militar italiano em membro da Federação Italiana de Futebol, viveu um período no Brasil, e ele foi o segundo presidente do Palestra, responsável pela formatação do estatuto da entidade.

Além do estatuto, ele era o presidente quando o clube realizou seu primeiro jogo, em 24 de janeiro de 1915, e colaborou com o presidente seguinte, Leonardo Pareto, no processo de filiação do Palestra Italia na Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA).

Outro ponto a se destacar, foi quando o Palestra Italia inaugurou a primeira grande remodelação do Parque Antárctica.

Vivíamos o ano de 1932, o presidente do Palestra Italia era Dante Delmanto (tri-campeão paulista 32, 33 e 34, além de campeão do primeiro Rio-SP da história em 1933), e toda a imprensa era categórica que em um momento de grandeza do Palestra, que inaugurava aquele que seria o maior estádio do Brasil até o surgimento do Pacaembu em 1940, toda a coletividade palestrina estava unida para viver e apoiar aquele momento importante da instituição.

Existiam brigas políticas? Sim, muitas!

Mas diferente de hoje, quando adversários políticos preferem usar a imprensa para causar tumulto no ambiente do clube, naquela época as brigas aconteciam dentro da sala do conselho deliberativo e com portas fechadas.

Claro que o momento atual do Palmeiras não é bom. Temos acusações sobre jogadores que estão exagerando na balada, além de dirigente rebaixado que está tumultuando no Twitter.

O ponto é que o Palmeiras ESTÁ NA FINAL DA COPA DO BRASIL, onde enfrentará um avdversário muito bem organizado e que precisaremos de foco, organização e ambiente positivo para conquistar o tricampeonato.

Como nossos antepassados faziam, vamos deixar as divergências políticas para DEPOIS da decisão.

Vamos focar na CONQUISTA DO TÍTULO!

Que esses 12 dias que nos separam da primeira partida da final sejam de INTENSO TRABALHO técnico, tático, físico e psicológico para entramos com tudo no jogo da Vila Belmiro.

Abraço a todos!