Baú do Palestra – 40 mil pessoas no Parque

periquitoO Palmeiras vem na temporada 2015 batendo recordes de público e renda. A média de torcedores no Allianz Parque é 33 mil pessoas por jogo.

Que o fanatismo e apoio de nossa torcida é grande, isso já é sabido de muito tempo, pois, mesmo nas vacas magras nossa torcida nunca deixou de comparecer, tanto no antigo Parque Antarctica, como no Pacaembu, Morumbi e nos jogos que foram disputados na Arena Barueri.

No último domingo tivemos 42 mil pessoas no Allianz Parque (incluindo os ingressos de camarote) – com público pagante de 38.794 – na derrota por 1 a 0 para o Atlético Paranaense.

O antigo Parque Antarctica tinha capacidade para 40 mil pessoas até 1993, quando o Contru (órgão público que verifica capacidade e segurança de estádios, casas de show, cinemas e teatros) apertou a fiscalização em todos os estádios de São Paulo, após um acidente no estádio do Morumbi, quando uma grade em uma rampa de acesso ao estádio caiu e feriu dezenas de torcedores em um clássico entre nossos dois grandes rivais.

Com as novas normas e reformas estruturais que o antigo Parque Antarctica precisou passar, a capacidade do estádio diminuiu para 32 mil pessoas.

Mas como neste espaço falamos principalmente de história, vamos lembrar a outra vez que o estádio localizado na divisa dos bairros da Pompéia e de Perdizes recebeu um público acima de 40 mil pessoas.

Foi no dia 18 de agosto de 1976, na partida que serviu como uma final de campeonato paulista, quando o Palmeiras venceu o XV de Piracicaba por 1 a 0.

O sistema de disputa do campeonato paulista de 1976 era o de pontos corridos, com 18 equipes divididas em três grupos com seis equipes. Classificavam-se para o segundo turno os quatro melhores de cada grupo. Dessa maneira os 12 remanescentes formavam um grupo único e quem fizesse mais pontos ficava com o caneco.

Na primeira fase o Palmeiras fez 25 pontos em seu grupo, ficando em primeiro lugar. Nos outros grupos os líderes foram o São Paulo, com 23 pontos, e o Guarani, com 26 pontos.

Na segunda fase o Verdão foi o líder da disputa com 19 pontos em 11 jogos, com oito vitórias e três empates (vale lembrar que nessa época a vitoria valia dois pontos).

Como o XV de Piracicaba também fazia boa campanha naquele paulistão, a partida entre os dois valeu como uma final de campeonato.

O antigo Parque Antarctica, naquela noite de quarta-feira, recebeu 40.283 pessoas – recorde total até hoje. Nem na decisão da Taça Libertadores tivemos tanta gente no estádio, pois, como já dissemos anteriormente, nos anos 90 a capacidade do estádio foi reduzida para 32 mil pessoas.

A partida foi difícil, o Verdão vivia o último ano da “Academia”, e já não contava mais com Leivinha e Luis Pereira – que foram vendidos para o futebol espanhol – Eurico, Zeca, Alfredo Mostarda e César Maluco também haviam deixado o clube.

Da formação clássica ficaram Ademir da Guia, Leão, Edu Bala e Nei. O volante Dudu encerrou a carreira no início do ano, e foi contratado como técnico da equipe.

Os reforços eram (o craque) Jorge Mendonça, além de Pires, Samuel, Ricardo e Arouca. Na camisa 9 o excelente Toninho Catarinense assumia o lugar de César Maluco.

A partida naquela noite foi difícil. Apesar da força palmeirense, o XV de Piracicaba jogou forte na defesa e explorou os contra-ataques. Os destaques do clube de Piracicaba eram o goleiro Donah, o zagueiro Fernando, o meia Nardela e o atacante Benê.

O gol da vitória saiu aos 39 minutos do primeiro tempo. Falta para o Palmeiras na lateral direita de ataque. Edu Bala levantou a bola na área, Jorge Mendonça subiu mais que a defesa do XV e cabeceou para o fundo das redes de Donah.

Na segunda etapa o Palmeiras tocou a bola, sob a liderança de Ademir da Guia, e esperou o jogo acabar para se sagrar campeão paulista de 1976.

Sobre a presença da torcida, quem nos fala é o atual diretor de história do Palmeiras, Mariano Barrella, na época tinha 16 anos e foi ao jogo.

“Algumas coisas precisam ser lembradas, pois na verdade, a partida contra o XV de Piracicaba seria no dia 12 de agosto, o que faria o jogo do domingo 15, nossa vitória por 1 a 0 contra o São Paulo, o jogo que nos daria o título. Mas no dia 12 de agosto choveu muito na cidade e a partida foi transferida para o dia 18”, relembra.

De acordo com Mariano, a presença do público foi tão grande no Parque Antarctica, que a torcida do XV de Piracicaba não teve lugar na arquibancada.

“Como o estádio estava tomado por mais de 40 mil palmeirenses, a polícia militar colocou o pessoal da torcida do XV de Piracicaba para assistir o jogo nas escadas do trampolim da piscina de saltos, que fica no clube social, mas tem a visão do campo por trás do gol”, revela.

Outro torcedor que possui boa memória da partida é o conselheiro e historiador Jota Christianini.

“As ruas em torno do estádio ficaram tomadas pela torcida, pois o pessoal ia chegando conforme saia do trabalho. Lembro-me bem de duas situações; a primeira foi que assisti o jogo perto do antigo placar, que era patrocinado pelos relógios Citzen. Já a segunda lembrança foi que após a partida, a diretoria do Palmeiras entregou para a torcida, na saída do estádio, um panfleto com os dizeres ´Não é novidade. Ano sim, ano não, o Palmeiras é campeão´”, recordou.

Aquele foi o 18 título dos 22 paulistas que possuímos. A festa pelas ruas em torno do estádio e nos tradicionais bairros palmeirenses como Mooca, Brás, Bexiga e Barra Funda foi uma das maiores que a cidade já viu.

Ficha técnica

Palmeiras 1 X 0 XV de Piracicaba

Palmeiras: Leão; Valdir, Samuel, Arouca e Ricardo; Pires, Jorge Mendonça e Ademir da Guia; Edu Bala, Toninho e Nei – Técnico: Dudu

XV de Piracicaba: Donah; Volmil, Fernando, Elói e Almeida; Vagner, Pitanga e Muri; Nardela (Capitão), Benê (Paulinho) e João Paulo – Técnico: Dema

Gol: Jorge Mendonça – 39min do primeiro tempo
Árbitro: Romualdo Arppi Filho
Público: 40.283 pessoas
Renda: CR$ 777.915,00
Estádio: Parque Antarctica