Balanços patrimoniais – 1 “As receitas dos clubes e a dependência da TV”.

Bom dia, boa tarde e boa noite amigos do Mondo.

Conforme estabelece a legislação, até o último dia do mês abril de todos os anos, os clubes de futebol brasileiros são obrigados a publicar os balanços patrimoniais.

Utilizando as excelentes informações contidas nos relatórios anuais do “Análise Econômico Financeira dos Clubes de Futebol Brasileiros”, de 2010 a 2017, produzidos pelo Itaú/BBA e na pesquisa da consultoria de marketing esportivo Sports Vale para 2018, iremos apresentar os treze maiores clubes brasileiros em receitas e a incrível dependência das cotas de TV.

O ano de 2018

Primeiro colocado de faturamento, com a maior de todos os tempos entre os clubes brasileiros, a receita do Palmeiras foi de R$ 668,7 milhões com as aplicações financeiras e R$ 654,0 milhões apenas com as receitas operacionais.

O Palmeiras é o time com menor dependência das cotas de TV e o Botafogo com mais de 50% oriundos da grana vinda da Rede Globo, é o mais dependente.

Em percentuais, a média das cotas nas receitas foi de 38,17%, com o Verdão 17% abaixo da média. Sem o Palmeiras, a média seria de 39,61%, próxima da metade de todas as receitas dos clubes são recebidas da Vênus Platinada. 

De 2014 a 2018

Considerando as mudanças dos valores recebidos para TV Aberta + TV Fechada, de 2012 a 2015, sem o PPV, as receitas acumuladas para os últimos cinco anos foram as seguintes:

Mesmo com um aumento de 6% no valor das cotas de TV, continuamos com a menor dependência. Na outra ponta, o Vasco superou os 50%. A média geral é 40,2%. Sem o Palmeiras, a média aumento um pouco, 41,31%.

De 2010 a 2018

Considerando os últimos nove anos, o Palmeiras se mantém com a menor dependência e o Vasco a maior.

Em 2013, o Palmeiras viveu sua pior crise esportiva e financeira e fomos salvos por um grupo diretivo chefiado pelo ex-presidente Paulo Nobre. Comparando os três gráficos percebemos que a matriz de receitas do Palmeiras mudou muito.

De quase 30% das receitas oriundas da TV, de 2010 a 2018, passamos para pouco mais de 20% em 2018. Uma significativa redução. 

PALMEIRAS e os filhos da Globo

Os pontos de audiência do Palmeiras e do SCCP, são os números do IBOPE para o estado de São Paulo (maior mercado consumidor do país), onde cada ponto equivale a 71.885 domicílios sintonizados em São Paulo, apenas na região metropolitana.

A audiência do Flamengo foi calculada em pesquisas no estado do Rio de Janeiro, onde cada ponto equivale a 45.253 residências na região metropolitana da capital carioca.

Comparando Palmeiras e Flamengo, os cariocas arrecadaram em média R$ 57 milhões/ano a mais nos últimos cinco anos e R$ 44,1 milhões/ano de 2010 a 2018.

Em relação ao time da marginal, foram R$ 31 milhões/ano em média de 2014 a 2018 e R$ 37,5 milhões/ano em média nos últimos nove anos.

PALMEIRAS e o SPFC 

Os pontos de audiência do Palmeiras e do SCCP, são os números do IBOPE para o estado de São Paulo (maior mercado consumidor do país), onde cada ponto equivale a 71.885 domicílios sintonizados em São Paulo, apenas na região metropolitana. 

Como Palmeiras e SPFC possuem quase o mesmo número de torcedores e entregam quase o mesmo IBOPE, os valores corretamente são próximos. Entretanto, após a excelente negociação do Palmeiras na renovação com a Globo, essa diferença nos próximos anos, tende a ser maior ao nosso favor. 

A Premier League e o futebol brasileiro

Na temporada 2018-19, recentemente encerrada, o time inglês que mais irá receber da TV é vice-campeão Liverpool com £$ 149,5 milhões ou R$ 780,3 milhões. O lanterna Huddersfield Town, que conseguiu apenas 16 pontos, irá receber £$ 79,4 milhões ou R$ 414,5 milhões. O Liverpool receberá 1,88 vez mais que o último colocado.

No Brasil, em 2018, o Flamengo recebeu R$ 222 milhões contra R$ 59 milhões do Athletico Paranaense (7º. colocado com 57 pontos), são 3,7 vezes mais.

Quando comparado com o Paraná Clube, com 23 pontos e último colocado do brasileirão de 2018, que recebeu R$ 29,9 milhões, a diferença a favor do Flamengo é de inacreditáveis 7,42 vezes mais.

Nos próximos posts, mais análises dos balanços dos clubes brasileiros e em especial do Palmeiras.