Balanços dos clubes – 2ª. parte “Palmeiras – receitas de 2018”.

Bom dia, boa tarde e boa noite amigos do Mondo.

Do balanço patrimonial do Palmeiras em 2018, neste post, iremos destacar as receitas operacionais de 2018 e compará-las com os valores do ano anterior:

 

 

Total de receitas 

Iremos considerar as receitas operacionais de 2018 no valor R$ 653,85 milhões e compará-la ao valor de R$ 503,682 milhões de 2017. Aprovado por unanimidade pelo COF – Conselho de Orientação Fiscal do clube e pelos conselheiros, o valor total das receitas incluindo as receitas financeiras foi de R$ 668,5 milhões.

Mesmo com o país em crise econômica, o Palmeiras obteve o incrível crescimento de 30% e se tornou o clube brasileiro com o maior faturamento em 2018, sobre o Flamengo (2º. colocado) que faturou R$ 543,0 milhões, a diferença é R$ 111 milhões, ou seja, mesmo com a ajuda da mãe Globo, o cheirinho mais uma vez ficou no cheirinho.

Como apresentamos no post anterior, a vantagem sobre os rivais paulistas é ainda maior. Foram R$ 184 milhões sobre o time da marginal sem número; R$ 231 milhões a mais que o time da Vila Sônia e avassaladores R$ 436 milhões à frente das sardinhas.

Utilizando a taxa do câmbio do euro do dia 31 de dezembro de 2018 (R$ 4,44 por €$ 1), as receitas operacionais significaram €$ 150,5 milhões, mesmo faturamento do Benfica, o 30º colocado no ranking “Deloitte Football Money League” com €$ 150,7 milhões. Se considerarmos as receitas totais de R$ 668,5 milhões ou €$ 155 milhões, ficaríamos pouco atrás do Brighton da Inglaterra, o 29º colocado no mesmo ranking, que faturou €$ 157,4 milhões.

Analisando apenas as receitas do futebol profissional (R$ 601,9 milhões em 2018 contra R$ 448,7 milhões em 2017), o crescimento de 34% é ainda maior que o crescimento das receitas totais.

A semente plantada pelo ex-presidente Paulo Nobre, em 2013, e desde então muito bem cuidada por ele e pelo seu sucessor Maurício Galiotte deu, dá e dará ótimos frutos.

Negociação de Atletas 

Com as negociações de: Yerry Mina com o Barcelona, Tche Tche com o Dynamo, João Pedro com o Porto, Fernando com o Shakhtar, Keno com o Pyramids, Daniel Fuzato com a Roma e Roger Guedes com o Shandong, mais as receitas do mecanismo de solidariedade e empréstimos de atletas, no ano passado, de forma inédita, a venda de atletas liderou as receitas operacionais com R$ 169,6 milhões.

Em 2017, as receitas com as vendas de jogadores foram de R$ 36 milhões. Comparando os dois anos, crescimento de R$ 133 milhões que significou incríveis 370% de aumento.

De 2003 a 2018, o ranking dos clubes brasileiros que mais faturaram com negociações de atletas é o seguinte:

 

Clube

Valor

SPFC

R$ 1,08 bilhão

Internacional

R$ 827 milhões

SCCP

R$ 736 milhões

Cruzeiro

R$ 715 milhões

Santos

R$ 548 milhões

Grêmio

R$ 499 milhões

Palmeiras

R$ 496 milhões

Fluminense

R$ 419 milhões

Atlético MG

R$ 410 milhões

Athletico PR

R$ 392 milhões

Flamengo

R$ 381 milhões

 

Direitos de TV 

Com a mudança de contabilização das cotas da Copa do Brasil e da Libertadores (ver Arrecadação dos Jogos), o Palmeiras recebeu quase a mesma quantia de direitos de TV nos dois últimos anos, R$ 136,7 milhões em 2018 e R$ 137,3 milhões em 2017.

Como o faturamento total aumentou, a participação deste quesito contábil no total das receitas operacionais caiu de 27% para quase 21%.

Com a entrada em cena da Turner e com a renovação do contrato com a Globo, a partir de 2019, certamente as receitas dos direitos de TV irão ter mais importância na composição do total.

Arrecadação dos Jogos 

Com informações do Eduardo Luiz, do ótimo site “Palmeiras Todo Dia” (www.verdao.net), analisando de forma competente o balanço patrimonial, o especialista Leandro Santile explicou que nesta rubrica contábil, não foram contabilizados apenas os valores arrecadados com bilheteria, mas todas as receitas advindas dos jogos propriamente ditos.

Foram adicionados os valores referentes às cotas que as confederações pagam ao Palmeiras por avanço de fases na Copa do Brasil e na Libertadores. Também foram contabilizados os valores devidos pela WTorre quando o Palmeiras joga fora Allianz Parque.

Em 2018, a arrecadação do Palmeiras com os jogos disputados em casa foi a seguinte:

 

Publicidade e Patrocínio

Com a alteração do contrato entre a Crefisa/FAM, após a suja denúncia para a Receita Federal, houve uma queda superior a R$ 35 milhões de patrocínio e consequentemente a participação deste quesito no total das receitas operacionais recuou 11%.

O seja, “não importa o que diga essa imprensa de gamba fdp”, a cada ano que passa, com o crescimento das receitas operacionais, menor fica a participação da Crefisa/FAM no valor total, ou seja, para desesperos dos rivais, dependemos cada vez menos de uma possível saída deste importante parceiro.

Avanti 

A crise financeira mais os reajustes das mensalidades do programa acima da inflação gerou uma alta taxa de inadimplência e mesmo com um pequeno aumento monetário de R$ 800 mil, essa importantíssima fonte de receita perdeu preocupante espaço no valor total das receitas.

O recente lançamento do plano Verde para moradores fora da capital paulista e o novo Clube de Vantagens do programa podem ajudar na recuperação de parte desta perda de receita.

Premiações  

 

 

Pelo decacampeão em 2018, o Palmeiras recebeu da CBF o prêmio no valor de R$ 18 milhões e da Crefisa mais R$ 12 milhões.

De maneira acertadíssima, a diretoria recusou a receber e contabilizar, o valor de R$ 1,65 milhão pelo vice-campeonato paulista de 2018. 

Timemania 

Para alterar o perfil de endividamento, o Palmeiras aderiu a loteria “Timemania” em 2007, cedendo para a Caixa Econômica Federal que explora a loteria, os direitos de uso de sua denominação, marca, emblema, hino e de seus símbolos para divulgação e execução do concurso prognóstico “Timemania”.

Em contrapartida, do valor arrecadado com o referido concurso, 20% serão destinados à remuneração das entidades desportivas de futebol profissionais participantes. Os valores repassados serão utilizados integralmente para pagamento de dívidas tributárias dos clubes no âmbito da Receita Federal do Brasil – RFB, Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço – FGTS. 

Outros itens

 Por falta de informações mais detalhadas, não iremos analisar as demais receitas.

A maioria dos torcedores dos outros times e vários palmeirenses pensam: “Não vivo de dinheiro. Vivo de títulos.”, entretanto, a atual realidade do Palmeiras é diferente: “Vivo de títulos e de dinheiro.”

No próximo post iremos apresentar as despesas operacionais e o resultado do balanço patrimonial de 2018.